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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Uma Torre de Marfim



Pois bem, aqui vamos nós com mais um post neste blog. Os olhos mais atentos verão aqui um poema (rsrsrsrs- só para descontrair). Não acho que dessa vez precise ficar explicando muito sobre o que trata ou deixa de tratar esse poema, são as costumeiras torrentes do inconsciente lançadas numa folha de papel, no fim elas acabam falando de algo. Está aí o desafio: “O que vocês acham que este poema está insinuando?”

Um abraço e até a próxima.






Uma Torre de Marfim (Guto)

Do alto da torre tentei me atirar,
Só para buscar esta luz que não me quis.
Ela tem suas ocupações radicais
E não vive um minuto se quer para mim.
Ela quer voar, e me faz querer também,
Amar tuas graças com os olhos voltados para o fogo.
Com essa luz caprichosa, a sorte me vem e vai,
Mas já não temo o futuro indeciso
Desde que a poesia não me saia dos ossos,
Desde que meu espírito não abandone a vida
E a natureza não pare de criar o espetáculo
Com o vento a curvar as árvores em reverência.

Do alto da torre eu tentei contemplar
E a solidão era etérea.
Ouvi nossas vozes, erradicadas com o tempo.
Das alturas eu vi que nos matamos aos montes,
Ferimo-nos de morte toda noite.
Tudo em nome de Deus ou de algum diabo.
Não nos olhamos nos olhos
E nem abraçamos o grande mar.
Tudo pela graça de algum infértil deus
Ou pela culpa de algum pobre diabo.

Do alto da torre tentei me apagar,
Pois os dias já são tão parecidos.