Total de visualizações de página

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Talking About my Generation!!!




-Geração de Farrapos- o que isso quer dizer? Um dos motivos pelo qual eu coloquei essa expressão no poema (A Mansão Nublada) foi porque é como eu vejo a minha geração. Acho que a geração X apanharia da minha. Os nascidos a partir de 80, chamada de geração Y. Não sou nem um pouco moralista –acho que já disse isso muitas vezes- mas acontece que há um hedonismo extremamente suicida caracterizando essa geração de filhos da tecnologia de ponta e informações ultra velozes. (então é outra festa/ é outra sexta feira/ que se dane o futuro/ pois se tem a vida inteira) As palavras de Renato Russo caracterizaram bem o que vemos hoje em dia, e olhem que foram ditas pela primeira vez a quase três décadas, antes mesmo de minha geração caminhar pelas nossas festas de desespero, estávamos de fraldas ainda. Então me diga como elas podem soar tão atuais e tão presentes no nosso dia a dia? Talvez a história humana seja mesmo cíclica e se repita eternamente (um eterno retorno ao mesmo), ou talvez o ser humano seja em suma, igual em seus anseios e comportamento, e por mais que uma geração acredite na tolice de superar ou romper com a precedente, elas estão ligadas ao cordão umbilical das necessidades transitórias do amor que nós alimentamos pelo banal.

Não acho que é preciso ser nenhum gênio para perceber isso. Só somos levados, soprados como bolhas de sabão, nesse caos dos sentidos, martelados e martelados por estímulos que moldam nossos conceitos como uma colcha de retalhos de superfície, sem nenhuma profundidade da realidade à nossa volta. Acho que sempre foi assim, mas com a automatização de tudo o que antes era humano as coisas se tornaram robóticas de maneira nunca vistas.

Certo pensador disse que a tecnologia só nos afasta de nós mesmos. E se for o contrário? E se a tecnologia, ao em vez disso, nos aproximar de nosso eu banal e corruptível, nosso eu expulso do paraíso?

Acho que é preciso mais estudos sobre esse fenômeno da minha parte. Afinal eu só compreendo a minha geração a partir de mim mesmo e do que eu vejo mostrar essa juventude letárgica à minha volta, da qual eu faço parte e caminho sob seus mesmos sinais. Sempre levados e arrastados, tropeçando, mas não enxergando. O que poderíamos fazer? Que loucura.

Acho que saber que ossos envelhecem é um conhecimento maldito. Como costuma duvidar meu amigo, Izaac: “Talvez devamos ser felizes na ignorância”? É essa a mágica dessa geração? A felicidade ignorante? A tanta informação a nossa volta, tanto conhecimento, tanta porcaria filosófica, tanta merda psicológica que acabamos sabendo tudo, ou seja, nada. É como eu disse antes, almas ou colchas de retalhos de conhecimentozinho aqui, uma saberzinho ali e na verdade nada de concreto. Só um monte de zumbis arrastado pela corrente de prazeres em cada canto e afogados em mil estrelas de informação.

Tudo são formas de escapismo, e isso é perigoso. Como disse Torquato Neto: “a velha queimação de fumo o dia inteiro.”. Onde é que eu assino?

Quantos pensamentos escondido atrás de uma expressão tão minúscula.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Mansão Nublada





Não haverá uma nota introdutória nesse poema, gostaria que quem for se atrever a lê-lo tire suas própias conclusões e se puder as envie para mim, por e mail ou comentário no blog. Acho que sou incapaz de criar uma nota para este poema sem com isso destruir todo o mistério do que ele significa para mim. Ele é todo de seu.

"Eu aprecio estes momentos(...)"by Teddy Duchamp... O Outono da Inocência - Stephen King 

A Mansão Nublada (Guto)

Um estalo ecoando na extrema distância silente
É um enigma contido em milhões de amanhecer.
Se assim quiser, cerque-me, humilhe-me, violente-me 
E castre-me
Estou aqui para tombar
Afinal, por mais que eu resista,
Somam-se à vida fatos tolos, como morrer e amar.
Só exijo o que a mim pertence
E deixo no relento esse corpo que seca,
Como uma brincadeira alquímica que já dura há anos
Até que acaba – Morre- como um cigarro até o fim tragado.
Um estalo ecoando de novo; e de novo.
Seu som irá cessar,
Irá...
Mesmo que a nossa geração de farrapos grite em uníssono
Ou até mesmo que gravemos nossa voz em LP,
Ou consumamos LSD.
Loucos Sabem Demais,
Nossos mártires estão travestidos e olham o céu sem ambições,
Eles atiram-me tua coragem artificial por correntes de e-mail
Com as vidas carecendo de significado,
Por isso componho um amém envolto em cédulas,
Para tentar, entre um gole e outro
Refletir à luz do sonho pegajoso
Esses dilemas que se queimam fácil,
Inocência que se turva em sangue bacante,
Fagueira bárbara frustrada - culpe Roma -
Altar pagão que se esvai em ritos secretos.
Enigmas de milhões de amanhecer,
E eu sempre me perco,
Levado pelo fluxo principal,
Evitando-o quão besta bíblica,
Mas sempre levado, sempre tombando
-AMANDO-
Morrendo e agonizando.
Sempre arrastado,
O corpo jazendo, ferido de morte, mas com vida,
Dane-se!
E estalando, ecoando.
Sorrindo débil, como se o amanhã fosse um lugar esquecido,
Perdido, um ideal pelo qual lutamos
Falido e fedido. 

Fonte da Imagem: http://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/01/5d/ff/a3/tarde-nublada-en-mocambique.jpg