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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Gish - Resenha do Álbum

Smashing Pumpkins (o primeiro álbum)



Vinte anos já se passaram desde que Gish foi lançado. A verdade é que, quando do momento do lançamento desse álbum, eu estava completamente alheio a tudo isso, alheio ao rock’n roll, a Billie Corgan, a sua genialidade (contestada muitas vezes) e seu perfeccionismo. Perfeccionismo este, que também seria o motivo principal da separação da formação original da banda dez anos após o lançamento de Gish, mas essa já é outra história.

O álbum foi lançado oficialmente em 28 de maio de 1991, à quase exatos quatro meses antes do lançamento de Nevermind (de vocês sabem quem). O importante nesse fato é que o lançamento de Nevermind bem como a explosão de toda aquela onda grunge (que eu curto bastante, diga-se de passagem) colocou o Gish num estado de semi obscuridade, causado pelo posicionamento dos holofotes do mainstream e do público lá para a região noroeste dos Estados Unidos e seus garotos de calças rasgadas e cabelos ensebados.

 Entretanto, isso não quer dizer que o Gish não seja um bom álbum e por isso foi facilmente suplantado pelos lançamentos da onda Grunge. Muito pelo contrário, se formos traçar uma linha de comparação entre Gish e o Nevermind, veremos que Gish é um álbum instrumentalmente superior ao Nevermind, tendo inclusive uma profundida poética maior que a do seu contemporâneo. Em minha opinião, esses fatores foram fundamentais para tornar Nevermind mais popular do que Gish, pois ele era menos obscuro do que este. Se no Nevermind encontramos a influência da fúria primitiva e crua do punk setentista, no Gish ocorre quase que uma batalha de influências, já que no debut álbum dos Pumpkins, o que impera são as influências do dream pop, progressivo psicodélico aliado à raiva heavy metal sobre uma bela camada lírica. Isso quer dizer que o Gish ousa ir um pouco mais além do que o Nevermind ousou com o seu inocente “do it yourself”.




Logo no começo do Gish recebemos uma pedrada sonora nos ouvidos, é nada mais nada menos que Jimmy Chaberlin com a sua potente e precisa bateria abrindo caminho para os riffs de “I am one” uma bela canção de letra um tanto ateia na qual Corgan ousava berrar pra quem quisesse ouvir, “I am one as you are three/ Try to find a Messiah in your Trinity(...)”. Talvez para afastar, logo no início, os ouvidos e mentes de pouca coragem.



Esses, por suas vezes, perderiam um belo espetáculo instrumental que seria seguido pela sua sucessora “Siva”, mais uma bela pancada em nossos ouvidos, a bateria, como em sua predecessora continua bem trabalhada e quase perfeita, assim como as guitarras e as passagens psicodélicas.

Depois de levar duas pancadas na cabeça, “Rhinoceros” surge como uma brisa calmante, lembrança de eras psicodélicas, que, entretanto, não deixa de mostrar sua veia Heavy Metal no grudento refrão “She knows, she knows, she knows/ How it(...)”.



O álbum segue com “Bury me” retomando o fôlego das canções iniciais, com um instrumental para lá de frenético e um solo que nós faz perceber o quanto Corgan é virtuoso.

As próximas três músicas mostrarão uma faceta mais tranquila do álbum, sendo que, enquanto Crush mostra que Corgan também consegue usar sua voz esganiçada para falar aos corações, Suffer e Snail apresentam letras mais misteriosas e provavelmente de teor confessional.




“Tristessa” mostra que ainda há um pouco de energia pra mais pancada e em seguida “Window Paine” revisita a psicodelia apresentada antes em tom de intimismo no melhor estilo anos setenta.



A cortina de Gish cerra-se com a tocante e desesperançada “Daydream”, está com a baixista D’Arcy nos vocais. Nessa canção, a influência permeia o dream pop dos anos oitenta, mais notadamente vista na ótima banda Cocteau Twins. A impressão que fica com essa música é a de fim, e essa sensação se torna mais forte com a entrada da faixa oculta “I’m going crazy”, na qual Corgan desabafa seu desespero à época.

E assim o Gish eternizou os Smashing Pumpkins naquele início da década de noventa, não de forma perfeita, mas chegando bem próximo a isso.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Longa Noite Escura

A Longa Noite Escura (Guto)



Surge sem mudanças
Feito a esfera imperdoável.
É a longa noite escura.
Tendo algozes em seu encalço,
Estilhaça-me sem embaraço
Longe da criança esvanecida de outubro.
Aquela canção tinha o sabor doloroso de um fim.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sostenuto (Guto)

Sostenuto (Guto)



Franqueza imperdoável enfim,
Arvora-se em meu pescoço,
Meus músculos tremem de tensão
E meu sorriso se elastece em escárnio.
Estou pronto para a hora augusta,
Maltratá-la por alguns trocados,
Embora, de quando em vez,
Ainda ouse sonhar com salvação.
Não, querida, aqui não há uma confissão.

Minhas cordas agora soam subtonadas,
Vociferando qualquer “pax” armada,
Apontando e mirando o alvo em você,
Guardando o melhor para o final.

Acaricio o destino nublo de minhas memórias
Cortejando o sol com um sonoro “Dane-se”.
Ele ouve tudo das alturas,
Mas mantem-se impassível,
Entretido com o seu cortejo de anjos,
Submissos aos seus caprichos obscenos
De titânica divindade tirana.

“Franqueza imperdoável enfim”.
Eis o preço.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O OUTRO ESTAVA LÁ E EU O VI!!!




O Outro estava lá e eu o vi (GUTO)

Há praticamente um ano eu não utilizo o titulo deste post como meu nick no MSN, fico pensando no motivo que me levava a digitar isso e no mistério que isso significava para mim. Era bem verdade que eu costumava levar bastante à sério essa frase, a idéia do “outro” era um conceito que eu esperava (espero) desenvolver. Seria um algo de filosófico, místico ou até mesmo religioso, não no sentido popular dessa palavra.

Acho que é oportuno esclarecer que o religioso ao qual eu me refiro seria uma espécie de religião antropo-teognosiológica, isso quer dizer que eu me voltaria para o conhece-te a ti mesmo primordial da filosofia socrática para, através do conhecimento de si, tentar conhecer o outro, todos os outros, e a partir disso conhecer Deus, ou não. Afinal o importante é que eu não tinha isso como uma espécie de paranoia, já que o foco principal nesse rabisco de sistema filosófico seria o auto conhecimento, já citado anteriormente.

Entretanto, a necessidade de um imediatismo pragmático, de certa forma, não me ajudou a avançar muito nessa direção, é difícil manter-se fiel a sistemas filosóficos próprios e de certa forma até egoístas quando os dias cobram um cadinho de sua atenção e contribuição monetária. Outrossim é necessário manter-me emparelhado à justiça e fazer saber que também eu mesmo fui culpado nesse desvio em meus desígnios filosóficos pessoais. Em muitos momentos a frivolidade aliada a pitadas de vaidade me manteve com o foco difuso, distante de meu objetivo, que, por sua vez, deveria ser o meu norteador, essa nobre tentativa de descoberta íntima, de sentir por si mesmo o que é essa coisa chamada o Outro.

O outro, para mim, é esse espelho negro opaco, uma sombra de nós mesmo. O outro engloba em si todos os nossos caracteres mais remotos e mesmo se os mesmos atributos apresentarem-se em proporções menos acentuadas, creio que talvez seja simplesmente porque as configurações psicológicas, biológicas, sociais  dentre outros atributos que formam esse sistema que é o indivíduo humano e toda a sua abrangente condição como tal, contribuíram para que a coisa se apresentasse dessa maneira.

É por isso que encontramos a célebre frase “ninguém é melhor do que ninguém” tão amplamente usada por ai. A mesma simplesmente reflete que como seres humanos somos, todos nós, antes de qualquer coisa, potenciais, ou Devi r(vir a ser) mesmo já sendo. Nós todos apresentamos os mesmo s potenciais sejam eles tanto para a criação quanto para a destruição, sendo ao mesmo tempo Shiva e Bhrama.

À medida que a vida, através de suas muitas leis, nos impulsiona a agir, dá se o processo pessoal de desenvolvimento e é nesse momento que temos a bifurcação, a qual eu chamaria de o “Outro”. É ai que mora a minha limitação e miséria, não consegui compreender a totalidade deste. Portanto, só me resta caminhar nessa orientação, para assim poder conhecer o outro que estava lá e eu não vi.



OS:. A idéia carece de muita correção, revisão e estudos de aprofundamento.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Canção Para Garota Indecisa

Canção Para a Garota Indecisa (GUTO)



Ela flutua longe do meu mundo e faz-me de maneira quase hipnótica escrever essas tolas palavras. De dentro da minha redoma, eu as acho uma doçura, mas deveras inapropriadas para a ocasião. Revelo-me não tão sábio no jogo que ela autoritariamente propõe e exige, então eu penso: “Nunca tive sorte nessas coisas” . Observo o seu flutuar independente e encho-me de frias incertezas , daí tudo se torna mais gélido em minha alma diante da opacidade daquele olhar. Ela usa seus olhos como escudo e lança. Com apenas um movimento ela domina a situação, eu apenas retribuo. “Cheque Mate”, ela me informa, e em seus olhos eu vejo lampejos de uma autoridade quase sobrenatural. Minha trilha avança em direção à dela, mas ela apenas flutua distante e ideal, longe do meu mundo.

Encontro-me tolo no cume do destino e penso nela outra vez, vejo em imagens mentais que ela sorri, sua boca exibe dentes perfeitos, mas seus olhos, sempre eles, atingem-me assim tão deliberadamente – escudo e lança.

Vejo-a naquele sonho e chamo-a de doçura, penso em chamá-la para o lugar no mundo onde ela não precisará flutuar para tão longe do meu mundo. Mas minha voz se perde antes mesmo de poder sair da minha garganta, antes de atravessar a distância desse mundo e alcançar o seu flutuar, de penetrar na sua subjetividade e te impor uma verdade minha. Acho que o que importa é somente ela e talvez acima desse céu resplandecente não aja nenhum Deus a nos observar com seu martelo. Doçura, podemos fazer o que quisermos desde que isso não machuque ninguém. Essa sentença simples é o meu único Deus. Você é o meu único Deus.

OUTRA FREQUÊNCIA

Voltando de longas terras após longa viagem, trago notícias das mais variadas de tempos passados, presentes e possíveis futuros. O que há de diferente nesses meus dias? Respondo-vos, TUDO. Os meses me ocuparam com suas obrigações e fui obrigado a deixar esse meu querido blog em décimo plano, entretanto, o bom filho à casa torna, e se me ausentei, os motivos foram os mais nobres. Primeiro, tornei-me pai (a coisa mais importante que já aconteceu em minha vida). Segundo, recebi convocação para tomar posse no concurso público que eu havia feito recentemente, acho que isso tem ligação intrínseca com o nascimento de minha filha, e será muito benéfico para que eu possa dar condições de educação para a minha princesinha (o que é muito importante, na minha opinião). Terceiro, eu e minha noiva finalmente casamos de papel passado. E em quarto lugar, estou às vésperas de formatura na faculdade e tenho algumas ocupações inerentes a isso.

Enfim, tanto o título desse poema, quanto o conteúdo do mesmo, se deve a isso tudo. Esperem que gostem.

Um grande abraço para todos.



Outra Frequência (GUTO)



Esta ambiência é bem mais condizente a mim
Estou em outra frequência meu bem, não chame por mim.
Há uma nova beleza a degustar
Para nas horas, nas quais o terror se aproximar,
Uma fagulha de arte poder vomitar.
Só não venha cuspir em minha face
Nomenclatura de vil e egoísta.
Pois eu bem sei que trilhei no escuro
Tendo apenas a solidão à vista.
Também não me venha acusar de ser como uma ilha,
Estarei em outra frequência, meu bem, com a minha família.
E mesmo se você quiser levar a luz do sol embora,
Saiba que a luz do meu amor me aquece a toda hora.
Por isso não desperdice seu tempo lamentando por mim,
Estarei em outra frequência
Como eu sempre quis.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Do Amor (Guto)

Às vezes as palavras não vêm e às vezes eles vêm, ou, sei lá, transformo algumas leis em sentimento, ou algumas idéias bestas em amor. Acho que foi isso que eu fiz com esse poema ou pelo menos tentei fazer.  



Do Amor (Guto)

Do amor é um por do sol,
Espera e não transmite fonema qualquer.
Espera-me sob as vozes gélidas e do amor é o que sobrou.
Um suspiro ofegante e num segundo Do amor.

Ela parte o som sem fonemas e do amor se fez,
Ouço a esperança sem som ou era irreal.
Asas para cruzar miríades infinitas
Alguns chamam do amor.

A idéia que ri da metafísica
Pois o sol se põe aflito em espera por do amor
Uma irritabilidade indecisa, um coral desencontrado,
Notas graves e corpos, corpos loucos.

Sou eu ou era do amor?
O sonho que acabou e a voz ferida com lâmina,
Fantasmas de olhar delirante
E a cidade afogada e calada.

Sele meu suspiro com Do amor.