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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Vidente - parte II (Guto)

(...) no fundo, não era o fato dela falar de amor. Era outra coisa, mas ele não sabia o que era, talvez algo do futuro, algo que ele não conseguia capitar, mesmo com seus olhos de vidente.

A moça soltou um suspiro profundo, como se todo o pesar acumulado fosse liberado com ele.

Ele viu que ela trazia algo nos seus braços e que ele só percebia agora. Era o velho violino. Seus olhos brilharam incógnitos, e ela simplesmente percebeu o que ele queria. Posicionou o instrumento e começou a improvisar algo que lembrava o Canon em D maior de Pachebell, entretanto soava de maneira diversa, desprovido de sentimentos, de pathos e de temporalidade. Soava milenar. 

Ele se sentiu extremamente exausto com tudo aquilo, como se sua energia fosse de alguma maneira drenada pela maneira fria como aquela música era traçada no ar. 

De repente ela parou de tocar, olhou nos olhos dele e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, disse:
"Sabe, Lúcius? Tudo isso é somente pelo fato da inexistência de Deus"(...)

  

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Vidente (Guto)

Olhou outra vez nos olhos da moça. Vazio! Era só isso o que enxergava neles. Mas não era só isso, era todo estupor inaudito de uma geração decadente, uma geração de farrapos. Ela desviou o olhar e seus lábios se transformaram rapidamente num leve riso zombeteiro.

Os lábios dela abriram-se e ela ousou falar de amor(...)

Nada mal para uma geração de farrapos.




 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

As Cores das Horas


As Cores das Horas (Guto)



Meus dias, esses têm a face da amarga senhora
Perdida em seu clamor, não enxerga melhora
Se ao menos a redenção viesse com uma penitência
Não esvairia minhas horas com tola penitência

Minha tarde aperta a mão do decadente errante
Para que, de sórdida mesquinhez, eu me tornasse amante
E no alto da fúria eu não pudesse gritar
Um pedido de socorro para um alguém me libertar

Minhas noites celebram a chegada do horror
Pois sabem que o que houver de imundo, eu chamarei de amor
Saboreando o vinho torpe como uma criança
E mandando para os diabos qualquer fulgor de esperança.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Perséfone (Guto)




Ela se apresenta com sua pele extra
Usada em ocasiões distintas
Cospe-me no seu mundo insólito
E embora seja noite eu me queimo ao sol
Guardo o segredo que me aquece
- E queimo ao sol -
Ela desnuda o pensamento que eu oculto em floresta virgem
Faz me um tolo e limítrofe
Presente em momentos históricos os quais ela provocou.
Ao fundo da minha cortina de aparência
Eu apenas desejava me purificar
Mas de fato hesitei por entre os anos
Pensando que poderia chegar mais alto
Mais longe, ou mais cedo
Só não o suficiente de enganar a mim mesmo
Ou a ela.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Poema (Guto)






Sigo transitando firme em cambaleio fático
Invento um sol
Pinto um oceano
Ergo uma cidade trágica em minha mente
E todos apenas se enchem de cruel repúdio
Simulo um novo ar rarefeito
Para fazer tudo melhor daqui de cima
Em meio a tenra solidão de eremita
Construo um lar
E sigo para além do horizonte sobre o mar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Da Lógica


A quem importar (nossa, que lástima, rsrsrsrs!) segue a mais recente obra do inconsciente, creio eu que mais próxima do consciente, mais irmã dele, ou sua igual. Como poderei explicar, Enfim, não ouso, ao menos não dessa vez, só deixarei essas lembranças infernais para amigos açucarados. Agucem o paladar com essa perola patética. 

Da Lógica (GUTO)



Olhe o semblante opaco ao olhar
Pois bem, olhe outra vez com olhos que penetram
Este semblante se perde no esmo do para si
Eis que lá impera os ditames do iconoclasta
O “IN criado” oblitera a forma do seguido a risco
Do adorado bovinamente.
Olhe o semblante e responda aos ventos
“Não, homem de bem, este não é algo meu”
Não olhastes com perspicácia de filósofo
De investigador das naturezas,
Homem das sabedorias secretas
Tudo eis forma e semelhança
Dos porões do inconsciente coletivo
Do interior caótico onde mais eu vivo.