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quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Outra (Guto)

A Outra (Guto)



Você eis tu e eis também a outra
O sol toca-lhe e a tua sombra emerge
- O corpo da outra e o teu corpo também
Vocês se olham e se entrelaçam
Você e a outra
Tudo o que eu posso desejar
É estar no meio do seu duplo existir
Entre o amor e a outra
- Eros e Tanathos-
Você me beija profundamente
E a outra me corta com olhos carregados de desejo

Num segundo vejo uma e a arrebato
Nos meus beijos de amante – a metamorfose-
A outra
Ela segue em sua espiral imensa
E me carrega para onde bem quer e entende
Dançamos livres outra vez
Pelo mar de calor e sensações
Apenas eu, ela
E a outra.
Não há palavras para explicar esse mistério

Vejo uma querer e a outra tomar,
Uma temer e a outra arriscar
Ouço a mesma canção arranjada de maneira distinta
Sinto a mesma pele sendo duas
Uma me aquece e a outra....

Continuemos a dançar.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Página em Branco (Guto)

Página em Branco (Guto)

Uma página em branco ela me disse que viu
Mas não parou de me olhar um segundo se quer
Será que o que ela sente é o vazio?
Olhando para ela, sinto medo de perguntar

Seus olhos brilham no escuro
Minha lágrima cai na distância
Nada é eterno, meu amor
Nem nós dois
Talvez apenas aquela página em branco
A qual eu teimo em rabiscar meus sentimentos
E eles voam em sua direção com uma força assustadora
Nada é eterno (...)
Mas já faz tanto tempo que dá no mesmo

Somos maestros
Regentes de uma sinfonia em construção
Eu tenho a inspiração para compô-la
Sobre a superfície dessa pagina em branco
Que pareceu tanto te assustar 
Apenas queremos viver
Apenas queremos amar

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Do sentimento (Guto)

Do sentimento (Guto)



Estamos longe de tudo, mas perto de nós, perto do mundo do amor e do calor de uma paixão fumegante que nos entorpece e nos coloca em rota de colisão com nós mesmos. Estou longe de tudo e dirijo pelas ruas com uma canção sugestiva emergindo do aparelho de som. Espero que surja de repente na noite, onde ficou marcado, mas eu insisto em quebrar as regras e encurto o trajeto. Olhos me reprovam docemente, e num instante estamos longe de tudo, mas perto de nós. As ruas passam sob nossas asas (ou eram rodas?), os sinais se fecham para a caminhar veloz, mas se estendem as mãos e nos dão uma pequena liberdade de segundos, que não deixamos de aproveitar, e voamos baixo uma vez, e outra vez em seguida.

Estamos longe de tudo com um vento cantando e sibilando uma canção, a qual nós não prestamos a atenção, estamos por demais ensimesmados nas coisas do amor, hipnotizados de paixão. Ôh, como eu queimo e teimo em repetir, porque eu quero e é necessário. O céu está escuro sobre nós e há estrelas milhares, uma brilha em especial no coração da constelação de escorpião, e uma paixão brilha em especial no meu coração. Então eu sorvo todo esse vinho sob as estrelas e as bênçãos do cruzeiro do sul que nos olha e sente inveja, mas nos abençoa.


Estamos longe de todo mal que nos possa atingir e nosso refúgio é o fogo. Ele queima a tudo, exceto a nós dois, iluminando e ofuscando quem nos mal queira. Somos almas ingênuas em busca uma da outra, longe de tudo e perto de nós. Ainda vamos descobrir o motivo de tanta tensão inicial. Tensão que nos mantivera distante de nós, mas perto de tudo.

sábado, 19 de abril de 2014

Índigo ( Guto )

Índigo (Guto)



I
Horizontes quebradiços me distraem por horas
E eu sou um sintoma de nada novo
A mesma crisálida se rompe mil vezes
Para que o velho esqueleto brinque de brilhar

II
Ando em chãos encharcados com minhas lágrimas
Estranho perceber que nenhuma delas brotou de mim
Que nada do que construo possui originalidade
Nem mesmo essa tristeza de postura errática

III
Meu âmago abriga forças hostilmente contrárias
Cada uma delas anseia por devorar um pedaço meu,
Saborear uma víscera suculenta ao menos
Somente para reclamar para si a minha posse

IV
Horizontes quebradiços são miragens
E o que me distrai é a grande farsa de ser eu,
Enquanto na verdade não passo de nada
Reverberando no "om " como nada de novo. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

RED (Guto)

"There she goes again..."

RED (Guto)

O sonho púrpura vem uma vez mais
Como a chama ele aquece aquelas tardes
Dentro da leveza do outono morno
Subindo vivo até o meu plexo solar
Sinto-me indefeso e incapaz de conter o ímpeto
Danço através da canção do sonho púrpura
Meu corpo é guiado através de sons e horas
E pensar que tudo não passava de uma fábula
De um deslumbramento insensato
Algo que deveria ser apenas desejo e loucura
Mas que despertou com a força do sonho púrpura.
O que mais eu poderia fazer além de adentrar a névoa

E respirar o doce aroma desta fantasia carmesim?