Total de visualizações de página

sábado, 31 de maio de 2014

Soturna (Guto)

"Sob o sol, sob a chuva(...)"

Soturna (Guto)



Mistérios em meio a tardes
Precipita-me em sua alma
Descubro tudo, desnudo um mundo
Não o bastante, nunca o bastante
Seu semblante é uma sombra que me atrai
Seu lábio sorri e lá estou
Encontro te na incerteza e o mundo estremece
Nossa era é a tarde
Profunda ao que percebo em mim
Precipita me um corpo cálido
Com tudo o que a gravidade pode oferecer sobre mim
Soturna é a face que sorri seriamente
Como pode ser assim?

A luz engana.

sábado, 17 de maio de 2014

O Garoto Esqueleto III (Guto)


O Garoto Esqueleto III (Guto)

Engendrado na própria tertúlia
Emaranhado de ideias absurdas
Sumo sacerdote de si mesmo
Não me esquivo e minha alma passeia

Antes era algo de mim no meio do mundo
Enquanto eu via o mundo me abandonar
De pressa interpretava sonhos céticos
Não há nada como a arte de vilipendiar

Triste e esquivo, faço o pedido
Fechado na concha da arte de pensar
Triste destino do amor perdido
Sem rumo e sem lar

Fecho me em mim totalmente
Mas o mundo me abre sem piedade
Por isso maculo as certezas da cidade
Enquanto fujo no silêncio da tangente


terça-feira, 13 de maio de 2014

O Garoto Esqueleto II (Guto)

O Garoto Esqueleto II (Guto)

Raquitismo anímico e úlcera do ser
Morre de amores por mim
Eu enxergo essa sequela secular
Pulverizo tudo e chamo por nome próprio

Entretenho-me por alguns segundos
Mas depois perco o interesse de mim mesmo,
Perco a calma e chamo por nome único
Quando o tempo voa em minhas costas

Lares de desamparo no meu coração
E a hora negra em minhas costas
Cota de malha que não mais guarnece
Mas eu sempre tenho uma justificativa

Enfim, olho no espelho e esqueço
Estendo o braço pro outrora desprezado,
Para o trivial e abundante

Se olhares com calma, verás em minha face
O esboço de um sorriso

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Garoto Esqueleto (Guto)

"I'm not the only one(...)" Nirvana - Rape me

O Garoto Esqueleto (Guto)



Eu tenho a intuição deste bardo,
Vejo através dos olhos dele
E sangro pelas suas chagas abertas.
Garoto esqueleto da canção perdida
Que subverte as certezas do bairro,
Algum dia ei de ser como você?

Há tempos me vêm os sinais deste bardo,
Como uma víbora armada,
Então aqueles dias se tornaram inesquecíveis,
Exemplo de uma vida melhor
Mesmo que Deus tenha sido derrubado
Do seu trono no topo do sol
E retornado para lá triunfante

E na forma de trindade atômica.

Viva e deixe-me odiar (Guto)

"Call me morbid, call me pale(...)"
The Smiths - Half a Person 

Viva e deixe-me odiar (Guto)




Eu queria ter criado este novo homem, este que te ama e te honra como merecias. Eu queria ter sido menos leviano, menos fútil e difícil de lidar. Mas a angústia de não ter algo novo com o que lhe presentear me sufoca, minha linda e adorada Cecília.

E todos sempre souberam o quanto eu te amo, mas todos sempre me desprezaram pela minha excentricidade.

Ah, minha primeira e única, no mundo não há lugar para o meu amor nefasto.

Por isso eu te peço: “Viva e deixe me odiar.”

Oh, Diga-me o que vou fazer, agora que suas amigas não me querem por perto, e que sua família já me despreza ainda mais?

Talvez um revolver possa me ajudar, ou quem sabe um décimo andar qualquer. Se as artérias do meu pulso se rompessem, com a fúria da navalha, você correria para me ajudar, minha sagrada Cecília?

Ah, minha inalcançável, mesmo se você viesse, ante a sua bela face, eu diria: “Apenas viva, e deixe-me odiar.”


E finalmente as luzes se apagariam para sempre meu amor.