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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 08)

A Guerra de Tróia (Parte 08)



Não restou saída para os dois únicos sobreviventes, do que agora era claramente uma chacina, a não ser obedecer a ordem e deitar no chão. 
"Calma cara... Já estamos deitando... Calma... Você quem manda, patrão " agora falava Telo mansamente ainda sem entender o que aconteceu e nem como foram emboscados daquele jeito. 
" MUITO BEM, SEUS VEADOS....  TÁ NA HORA DE IREM PRO INFERNO "
" Calma, Cara...  Já tiveram muitas mortes nesse lugar... Vamos levá - los daqui pra outras áreas antes que cheguem viaturas aqui e atrapalhe nosso esquema. " disse Fábio. 
" Como assim...  Do que estão falando!? Que esquema é esse!?"... . Aparentemente, Elano sempre estava por fora de tudo.
"Logo logo você vai saber....  Chegue mais João".
Um garoto estava escondido atrás dum muro, próximo aos corpos dos comparsas de Vado... Quando Fábio chamou - o ele abandonou o seu refúgio e veio  com uma arma pendendo na direção dos três policiais...  Elano se assustou e quase empunhou a sua pistola... Mas Fábio acalmou - o. 
"Fique suça.... Elano...  O moleque tá conosco....  Foi ele que fez o ataque surpresa. "
" Que porra é  essa, Fábio? Um X9 menor de idade.? "
" VOCÊ ACHAVA MELHOR TER MORRIDO LÁ DENTRO ENTÃO... PORQUE ERA O QUE ACONTECERIA SE O PIVETE NÃO VIESSE NOS AJUDA."
Telo levantou a cabeça pra ver quem era o sacana que pegou-os desprevenido. 
"Pacapim... Que porra é essa?  Seu traidor filho da puta."
"CALA A BOCA, MISÉRIA! " gritou Pablo antes de chutar com força o rosto de Telo. 
"E a garota João? Onde ela está?" 
"Passei ela antes de vir pra cá... Como você pediu "....  Respondeu o garoto.
" Muito bem...  Pega o carro, Elano... Temos que terminar esse serviço logo."
Elano meio atordoado procurou as chaves do carro nos bolsos e em seguida se afastou da cena pra buscar as chaves do carro... Ao dobrar a rua ouviu mais sons de disparos de arma de fogo.... Na mesma hora ele se jogou num canto pra se proteger e voltou se esquivando pela parede enquanto ouvia o som dos disparos. No limite da parede,  de onde era possível ver a rua onde estavam todos os outros...  Ele viu uma figura na outra extremidade da rua efetuando os disparos. 
Era a mesma garota que Pablo havia insultado momentos antes. Pablo estava caído no chão com a mão sobre o ventre e Vado bem próximo estava imóvel... Fábio segurava Telo num mata leão com um braço enquanto o outro empunhava a arma contra o rosto do traficante que se debatia. Elano aproveitou o fator surpresa e mirou na garota.... Não queria matá - lá...  Mirou na coxa e disparou...  Ela caiu quando o projétil beliscou a sua perna.... 

Continua! 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Poema (Guto)

Poema (Guto) 




Carvão rubro crepitando 
Cheio de vigor. 
Chama potente
Fiasco por um triz 
Eis a sina trágica 
Repita cada nota da Flauta Mágica 
Peixes subindo o rio 
Enfrentando a correnteza 
Petrificado de frio 
Amor e avareza 
Cheiro de cadáver fresco 
Falta de oportunidades 
Um rio de subterfúgios 
Balança calmamente 
Gravidade abaixo 
Tristeza acima 
Sem intenção alguma 
Como os peixes tolos e jocosos 
Eu espero 
Suspiro 
Como um peixe ensimesmado 
A bússola quebrada
Fantástica 
Na hora de não se importar. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 07)

A Guerra de Tróia (Parte 07)



Ao ver o comparsa caído e imóvel, Zarolho ficou fora de si...  "FILHOS DA PUTAAAA".... gritou selvagemente antes de correr em direção à porta do bar e para a sua própria desgraça. O tiro de Fábio o acertou seu pescoço e ele caiu no chão sem conseguir respirar enquanto o sangue preenchia sua garganta e a escuridão tomava sua visão completamente. 
"MAIS UM PRA CONTA, CARALHO".... gritou Pablo enquanto Elano observava do canto e Fábio mantinha a sua pistola levantada na ação simples... Pronta para matar o próximo que entrasse no campo de ação. 
"MERDA".... Urrou Telo antes de correr para morte também.... Mas Vado o segurou antes que ele também entrasse na mira mortal de Fábio e sua pistola irresistível.  "ME SOLTA,  CARALHO.... ME SOLTA FILHO DA PUTA". 
"Tudo bem, mano....  Se você quer morrer eu vou te soltar e você pode ir lá se matar.... Mas se você quer vingar o pivete é melhor você esfriar a cabeça. E aí?"... Disse Vado conscientemente. Telo pareceu ouvir repentinamente a voz da razão e sentou no chão, desolado. " Calma cara...  Se você for lá pra frente vai se fuder também, cara....  É isso que esses filhos da puta querem.... Nós tem que ser esperto... Eles não podem sair de lá de dentro.... Vamos tocar fogo naquela porra e fazer churrasco desses sacanas.".... Telo adorou a idéia e um dos coligados de Vado saiu e voltou rápido com duas garrafas de vidro cheias de gasolina e um pano embebido no gargalo... Eram dois coquetéis molotov. 
"É parceiro.... Eles agora vão se fuder lá dentro...  O comando é todo nosso " disse Vado.... Ao passo que Telo agora sorria confiante. 
Elano e seus amigos de nada desconfiavam abrigados dentro do bar.... Apenas esperavam... E esperavam.... Sem saber que possivelmente o fim deles estaria bem próximo. 
" Está quieto demais lá fora... " comentou, Elano.
"Era de esperar... Os peões rodaram...  As peças maiores do tabuleiro não virão de vez... É provável que estejam planejando algo."  Falou, Fábio. 
"Cara....como você consegue ficar tão calmo... Nós estamos ilhados aqui. "
" É  simples... Pra cada movimento existe um contra movimento.... Pra cada ação há uma reação.... "
" Como assim.... De que merda você tá falando? "
" PORRA.... FIQUE NA SUA, ELANO... VOCÊ PARECE MULHERZINHA " Vociferou  com a sua natural truculência, Pablo. 
" Telo.... Eu vou pelo canto e jogo essas belezinhas lá dentro...  Você vem comigo e joga a outra depois....  Assim que eles saírem nos brocamos eles.... Se não... Eles morrem queimados ou asfixiados nessa porra. "
" Valeu, Chapa "... Concordou Elano. 
Os dois foram pelo canto.... Longe da mira mortal de Fábio.... Vado jogou a sua garrafa explosiva e em seguida Telo fez o mesmo.....  Na mesma hora começaram disparos que deixou ambos desnorteados.... Os tiros vinham de suas costas .... "mas como pode ser possível?"
Ao ouvir os sons de disparo e os gritos confusos do lado de fora Fábio gritou para os amigos...." A HORA É ESSA! "... Na mesma hora o portão do bar de seu Ednaldo se abriu e os três saíram do meio da fumaça efetuando disparos de suas pistolas.... Nem Telo... Nem muito menos Vado entendiam o que estava acontecendo....  Os comparsas de Vado foram pegos de surpresa e tombaram rapidamente 
"CARALHO.... QUE ME RDA É ESSA. " Vado gritava surpreso. 
" DEITEM, VIADOS.... SENÃO VOCÊS MORREM AGORA." Gritou Pablo. 

CONTINUA 

domingo, 27 de novembro de 2016

A Chuva de Abril(Guto)

A Chuva de Abril (Guto) 



Eu estava tolo no limite enjaulado
Clamando um amor parco
Perdido e sem tônica 
Minha feérica culpa me seguia
Escandalizava-me 
E sem sombras inevitáveis peguei uma moeda 
Depositei nesse amor 
Ele sorriu por um tempo 
Um tempo apenas
E tudo era abundante em palavras 
E eu
Abundante em tolices 
Como a chuva de  abril 
Um outono entre trópicos 
Sabe... Essas tolices alimentam 
Minha alma angelical 
Sempre enjaulada 
Por minha própria conta 
Esquecendo minha beleza 
Meu ódio 
Você entende 
Entoa esse verso  circense 
Com cópula quase extinta 
Com amor sobre a tinta 
Venerando a minha trilha 
Eu não sou um continente 
Sou apenas uma ilha. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cova Sem Número (Guto)

Cova Sem Número (Guto) 



Ele tem um endereço novo 
E o mesmo problema outra vez 
Anestesiado 
Enjaulado animal 
Uma escada infinita para o céu 
Se ergue serena 
Apoiada na densidade das nuvens 
Não tenha medo de falar 
E perder 
A voz dele não pode se sustentar 
Sem pulmões fortes 
Uma gota de mel 
E um pouco de sangue 
Motor de arranque 
Espaço e entre espaço 
Fenda no tempo ferido 
Probabilidades indecisas no Sahara 
Em uma cova sem número 
Sem história pra contar 
Se erguendo sereno 
Anestesiado 
Ensimesmado. 



domingo, 13 de novembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 06)

Guerra de Tróia (Parte 06)
(Guto) 



Telo estava transtornado,  andava de um lado para o outro... olhava fixamente para a porta de entrada do bar de seu Ednaldo e o portão que estava fechado....  Aqueles três minutos transcorriam tão lentamente que até pareciam uma eternidade. Fez sinal pra Zarolho e pro outro moleque... mandou eles ficarem a postos... Eles olharam para o chefe e concordaram..  De qualquer forma não ousariam discordar... Conheciam o humor do chefe e o respeitavam até mais do que respeitavam seus pais e mães em casa. Estavam quase na entrada do bar de seu Ednaldo...  Desprotegidos e com suas ponto quarenta em punho...  Kamikazes de uma guerra a qual não pediram para estar... Mas quase ninguém pede. 
Vado olhou seus companheiros de comando... Um acocorado num canto... Outro na reta guarda e outro paralelo ao da retaguarda...  Ansiosos para entrar em ação...  Um desejo assassino correndo nas veias. 
Telo se dirigiu pra Vado..  "Parceria.. Não tem essa não... Vamo pocar nesse caralho"...." Zarolho, manda bala. "... O moleque fez  um sinal pro comparsa e mandou ele agir...  A arma foi levantada sem jeito ou perícia e começou a disparar pra dentro do bar. 
Seu Ednaldo começou a chorar sonoramente em seu abrigo atrás do balcão .  Elano estava protegido num ponto sem perigo e seus amigos também... Pablo gargalhava insanamente enquanto Fábio estava sentado em silêncio encarando sua pistola...  Os sons de tiro ecoavam do lado de fora, mas não acertava nenhum deles.... Zarolho começou a atirar também  e os sons de disparos engrossaram como um caldo de feijão...  "Bota a cara, viado!".... Gritou Telo.
" Se acalma, Elano... Já Já é hora! "... Disse Fábio sem tirar os olhos da pistola. A verdade era que Elano já estava bem menos nervoso... Apenas ansioso para entrar em ação.... O que o incomodava mesmo eram as gargalhadas de Pablo... Como ele conseguia ser rufião até naquele momento?...." SACA SÓ, FÁBIO... ESSES CARAS NÃO SABEM NEM ATIRAR... ELES COLOCARAM OS MOLEQUES NA DIANTEIRA SÓ PRA ESSES PIRRALHOS RODAREM FEITO PEÃO."
"Daqui eu tenho um deles na minha mira já....  Só preciso de um tiro. "
O disparo de Fábio acertou o comparsa anônimo de Zarolho bem na cabeça.. o garoto caiu numa poça que rapidamente se formou com o seu próprio sangue  e morreu na hora. 

Continua. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Atma ou Carapaça (Guto)

Atma ou Carapaça (Guto) 



Todo desprezo, 
Tudo o que me é raro
Tudo o que meu olhar alcança
E por isso brilha em cascata 
Tremeluzindo de desejo 
Tudo o que mais venero no oculto 
Nos subterrâneos do Vaticano 
Tudo pelo que tenho amor 
Faz-me gritar inaudito
Reticente(...) 
Tudo que aguça-me a língua e entranhas 
Sinto no corpo 
Sinto-me vivo 
Sinto-me sujo 
Sinto-me limpo 
Faz-me humano 
E dividido. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Velhos Desconexos (Guto)

Velhos Desconexos (Guto) 



Meu fim sem nome 
Uma nota breve
E embora seco e cínico  
Arranho a casca inerte. 
Um fim insone 
Tua sombra some
Tudo é tão breve
Como os meus versos 
Velhos desconexos
Inverto e me despede. 
Outrora longe  sem nada certo
Um rito em armas
Eclode as larvas 
Na primavera vil
Planejo e me despeço. 
Este senhor que me conhece 
Sopra os refrões de vinho 
E me adormece.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 5)

A Guerra de Tróia (Parte 5)
Guto 




Elano estava com um copo de cerveja à mão.. Seus amigos estavam com ele. A cerveja estava gelada e ajudava a aplacar o calor daquela tarde de sábado....  O álcool,  já bebido aos montes por Elano e seus amigos, ajudava a estancar o nervosismo que Elano sentia. Seus amigos estavam aparentemente calmos. Pablo em sua rufionice costumeira e Fábio sempre de poucas palavras. Elano olhava as ruas nas direções que era possível observar...  Estava muito incomodado... Menos do que antes - é lógico -  mas ainda assim incomodado. E ele não gostava disso. Vinha diversas vezes àquele lugar e nunca teve problemas com quem quer que fosse... E torcia intimamente para que aquela não fosse a primeira vez.  Ele gostava do bairro e de sua decadência com casas mal feitas por falta de recursos ou de esmero dos moradores iletrados, pobres, mas que Elano nutria uma espécie de veneração por enxergar neles um tipo de raça de sobreviventes do cotidiano, da miséria e falta de assistência social a que eram submetidos...  Tanto que sempre imaginava ajudar de alguma forma aqueles infortunados. A bexiga de Elano estava começando a latejar por causa do excesso de cerveja. Elano se afastou dos amigos e foi ao banheiro minúsculo que ficava dentro do bar.....  Não demorou nem um minuto, mas quando foi sair começou a ouvir sons de estourou e gritaria. Ouviu a voz de Pablo mandando Fábio entrar no bar para se proteger enquanto a gritaria e a correria aconteciam do lado de fora. Ao sair do banheiro encontrou os amigos agitados dentro do bar. Seu Ednaldo estava escondido atrás do balcão enquanto Pablo e Fábio estavam abaixados abrigados num canto. 
"O que tá acontecendo!? "
" UNS FILHOS DA PUTA CHEGARAM MANDANDO BALA NA GENTE "
" Caralho, Pablo....  Tá vendo o que eu disse, cara!? "
" CERTO.... CERTO.... MAS, AGORA NÃO ADIANTA FALAR NISSO... ESSES CARAS QUEREM FODER COM A GENTE"
" Não precisava ter rolado essa confusão cara. "
" Seu Ednaldo... Aqui é o Telo, parceiro.... Nós não temos nada contra você.... Por isso é melhor você entregar esses cu arrombado pra nós resolver esse impasse entre nós aqui. " gritou uma voz fora do bar. 
Os três olharam para seu Ednaldo... Mas este apenas tremia e suava frio.  
" A coisa é séria... Eles querem nos cortar. " disse Fábio com a mesma calma inabalável. 
" Vou te dar três minutos, mano." a voz voltou a gritar do lado de fora. 
"E agora? ".... Perguntou Elano 
" AGORA É SIMPLES " rosnou Pablo 
" Como é simples?"
"Claro que é simples".... Concordou Fábio... "Nós somos polícia, companheiro... Vamos deixar eles contarem os três minutos deles... Daí nós saímos e brocamos todos eles." 
"TÁ VENDO O QUE EU DISSE, BOY? SIMPLES ASSIM".... Disse Pablo,  enquanto sacava uma pistola da cintura. 

"CONTINUA

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Ano Novo (Guto)

Ano Novo (Guto) 



Novo ano e tristeza funesta 
Tudo de novo demonstrando o antigo 
Posso abraçar o mar turbulento 
E posso perecer numa noite qualquer 

Anjos explícitos voam longe daqui 
Pois  não entendo a palavra 
E sigo errôneo só para acertar 
Não venerando mais a alegria 

Novo ano de ambivalência interior 
A pista segue escorregadia 
E mantenho - me duplo e subterrâneo 
Cheio de sonhos traiçoeiros

Oráculos internos dizem - me o que fazer
Sobre a besta do instinto e do vinho 
Adoraria receber a dádiva fatal 
Com sonhos 
Sonhos traiçoeiros 

domingo, 23 de outubro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 4)

A Guerra de Tróia (Parte 4)
(Guto) 



Telo ficou surpreso...  Surpreso e desconfiado com aquela proposta de Vado. 
"Eu até te agradeço, parceria... Mas isso aqui é um bagulho nosso pra resolver...  É um problema de família.  Negócio de honra. Tá ligado? "
" Eu tô ligado, man...  Mas se os nosso comando fechou na fé...  Então vamo resolver esse bagulho junto pra mostrar da colé.  Vamo chegar atropelando, parceiro."
Telo ponderou um pouco...  Seu olhar era uma esfinge incógnita... Ele observou Sandra que parecia extremamente ansiosa a ponto de devorar um prato de unhas. Ele coçou a cabeça raspada e em seguida disse. 
"Pois bem....  Vamos lá fulerar com esses caras agora....  Zarolho....  Chame Carlinho e vá lá na rua do bar,  como quem não quer nada e veja se esses malaco ainda tão no bar...  Depois me ligue e dê o papo. "
" Certo, patrão... O senhor é quem manda. "...  Dito isso saiu rapidamente da quebrada.
" Vocês estão de ponto quarenta ou 380?" Perguntou Telo aos novos parceiros. 
"Nós só chega suave, chefia...  Aqui nós só porta ponto quarenta...  Pra não ter erro! "  Vado suspendeu o blusão exibindo duas pistolas ponto quarenta presas à cintura....  Seus acompanhantes riram,  mas Telo somente balançou a cabeça positivamente. 
O aparelho de celular de Telo tocou com Zarolho dando sinal positivo para ele. A hora havia chegado...  Não era nada demais para ele...  Esses acertos de conta e cobranças violentas de dívidas..  Entretanto alguma coisa parecia incomodar-lhe. Sandra não parava de esfregar as mãos. 
"Só estamos esperando o seu comando, parsa! " Vado anunciou. 
" A hora é agora.  Vamos cortar esses fila da puta no aço....  Sandra você vai esperar aqui. Pacapim vai ficar com você enquanto não voltamos. Depois a gente vai fazer um reggae só nós dois. " Puxou a moça pela cintura e beijou a sua boca. 
Sandra sorriu....  Ele se virou  e se afastou com Vado,  os três do comando de Vado e uns dois do seu comando...  A hora do acerto de contas estava chegando finalmente....  Zarolho e o comparsa já estavam lá na emboscada. 

CONTINUA! 

sábado, 22 de outubro de 2016

Sonho Lúcido (Guto)

Sonho Lúcido (Um Conto Errante) 



A luz do sol atravessa a janela aberta...  Essa luz que viajou a trezentos mil quilômetros por segundo e chegou aqui...  E chega todos os dias.  Eu estava de pé...  Observando o seu caminhar... o seu dominar...  Nada disso era planejado... Duvido que o sol pense no que fará amanhã  ou planeje sair para beber com os amigos no final de semana...  Eu mesmo não tenho planejado nada -  igual ao sol -  apenas vou avançando a trezentos quilômetros por segundo em minha profunda loucura e insistindo em algo fraturado e falido.....  Não me dou ao luxo de me perguntar o porque - sei que o sol também não se pergunta...  Somos iguais... Morremos num horizonte e nascemos no outro...  Como ele está fazendo agora...  E eu tento fazer também pois é o que me resta. Seguindo com esse samsara cotidiano até a grande queda no abismo do esquecimento....  Quem sabe seria hoje... ou amanhã!? Talvez o sol exploda ou a minha vizinhança inteira...  Ainda assim eu teria que seguir com a minha vida lamentável...  Eu teria que ser eu...  Uma lástima...  Uma lágrima no infinito e um pulso  irrestrito.  DROGA! As vezes não faço idéia do que estou falando...  Ou finjo não saber....  Bem...  Duvido que o sol o faça...  Mas nunca poderei saber...  Ele não fala comigo...  Apenas me olha (ou não)  e segue sua vida...  Como um deus grego prepotente e decadente...  Escravo do seu ciclo heliocêntrico...  Como eu..  Escravo do cotidiano...  Escravo do meu body and soul... Trezentos mil quilômetros por segundo de escravidão....  O que é deixado pra mim como  migalhas e promessas de amor...  Uma dor não pensada e não raciocinada....  Ao menos posso apagar antes do sol...  Esse bossal...  Escravo de sua fusão nuclear....  Dos seus núcleos de hidrogênios se fundindo em hélio....  Pelo menos  a minha vida é uma só...  Ou eu penso ser....  Maldição.... Do que eu estava falando mesmo....  Ah! Era o sol...  E como somos sós! 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Poema (Guto)

Poema (Guto) 



Era ela o meu medo?
As vezes me pego pensando 
Pensando nela
Nos seus cachos eternos
Na sua boca macia 
Na sua voz rouca quando baixa 
E me chama de moço 
E me tira do sério 
Só pra mostrar que pode. 
Ela era meu medo(...) 
O seu jeito de andar 
Como se fosse socar alguém 
Sem deixar a sensualidade de lado
E a canção no seu cheiro. 
As vezes eu acordo à noite 
E corro a mão do meu lado
Pra ver se ainda está lá 
Ou era uma sonho 
Na imensidão estrelada de nossa cama 
Em nossa casa
Em nosso lar

Um Despertar/ Um Fenecer (Guto)

Um Despertar/Um Fenecer (Guto) 



No meio do tempo quente
Você percebe o inevitável 
O inesperado 
Um Despertar 
Um olhar brilhante
Esse brilho não é mais para mim
E as horas preciosas do dia
São perdidos talvez desejando outra coisa 
Talvez um novo desejo de viver 
Quem sabe uma nova paixão 
Um calor interior 
Mas não pra mim
Pois o tempo  quente que nos repele 
E o brilho ofuscante em seus olhos 
Enxerga apenas meu pomar de frutas podres
Ainda há algum sabor... 
... Talvez na próxima estação.
Talvez não no meu pomar envenenado. 

domingo, 16 de outubro de 2016

O Blefe (Guto)

O Blefe (Guto) 

Eu não deveria ter blefado naquela hora 
No seio da madrugada
Não deveria confundir o sopro vazio 
Com a voz da pessoa amada
Eu não deveria mentir 
Nem o meu corpo rasgar
Não deveria insistir 
Nem aquela boca beijar 
Não deveria ter criado canções 
Enquanto alterno estações 
Me queimo no verão
Me explode o verão 
Pra quando o inverno chegar 
Eu deveria ser livre de mim 
Desse blefe amador 
Eu já plantei no jardim 
Uma rosa morta sem amor
Me esvaindo nas consequências 
E arrastando - as por aí  afora 
Como um adereço nocivo 
Sem o qual 
Eu não vivo. 

A Guerra de Tróia (Parte 3)

A Guerra de Tróia (Parte 3)
(Guto) 



"PARECE QUE NINGUÉM AQUI ME CONSIDERA! ".... Berrou a garota meio descontrolada. 
" Acho melhor você falar mais baixo comigo. " disse o chefe. 
" Patrão, eu dei a idéia, mas ela não quis me ouvir."
"Fique na sua Zarolho que não pega nada pra você.".... "Quanto a você, Sandra. O que é tão importante que te fez interromper uma reunião com o comando do Vado.... E tome cuidado como fala comigo."
Vado e os três que estavam com ele olhavam tudo atentamente. 
" Telo...  É assim que você me trata... É desse jeito que eu sou sua namorada, é?"
"Você vai ficar sentimental ou vai dizer o que tem pra falar?"
"Acontece que já te respeitaram mais na suas áreas."
"De que merda você está falando, rapaz!? Vambora....  Dezembucha logo? " Telo ficou visivelmente irritado. 
" Eu estava passando agora a pouco na rua do bar de seu Ednaldo e uns caras mexeram comigo"
"Que caras... Que papo é esse? "
" É isso, não conheço eles...  Não são daqui da favela...  Parece que são conhecidos de seu Ednaldo...  Só sei que, além de tudo, ameaçaram quebrar a minha cara...  Veja só...  Parece que tão cagando pro seu comando aqui da favela."
"Muito bem.... E você deve esperar que eu dê  uma  prensa nesses caras? "
" Só você pode fazer isso.... O comando aqui é seu. ".... Argumentou eloquentemente Sandra.
O chefe se virou pra Vado e com um movimento de ombros disse. 
" Parece que eu tenho umas obrigações a cumprir agora. Mas, só pra concluir o que foi conversado lá dentro...  O acordo tá fechado entre a gente, né? "
" Fechou...  Nossos comandos estão em trégua a partir desse momento " respondeu Vado e estendeu a mão para apertar a mão de Telo. " Só mais uma coisa...  Não pude deixar de ouvir a sua conversa com a moça e como  sinal de boa vontade eu gostaria de oferecer nossa ajuda pra resolver esse problema." 
Telo ficou surpreso com a oferta(...) 

CONTINUA! 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Errante (Guto)

O Errante (Guto) 

Não me enxergo e me entrego 
O Errante 
Velha alma já disléxica
Tão pulsante 
Grito surdo sob o muro 
Um Errante 
Os pés tocam o caminho 
Dissonante 
Mesma forma e mesmo vazo 
Cada dia um cadafalso 
O pescoço junto ao laço 
Esse laço tentador 
Mais agora do que antes 
Essa trilha
A minha trilha 
O Errante 
Sempre encontro
E sempre perco 
Os meus credos desconheço 
Mais um dia um tanto cético 
Esse jeito já profético 
No grito do hierofante 
Condenando me
Um Errante 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Norte Verdadeiro (Guto)

O Norte Verdadeiro (Guto) 




Há  uma pirâmide no centro do país 
Onde os porcos se juntam e chafurdam 
O que é de sua natureza 
E o restante da população 
Alguns anseiam se tornar porcos
Outros anseiam morrer antes de qualquer coisa 
Há drogas influenciando nossas mentes 
Estamos demasiadamente letárgico 
Flutuantes em meio ao caos político
Os embates culturais não  são  dialética
Eles não nos levam daqui para ali 
Apenas nadando contra a correnteza 
Devendo ao banco 
- Como de PRAXI-
Enterrando umas cédulas no colchão 
Por precaução 
Há um ódio do no sul e ele mira o nordeste 
Há ódio por toda parte 
Ele explodirá o sol
Vamos nos lançar ao espaço 
Cruzar a última fronteira 
E morrer  (my love) 
Os homens de  negócio bebem nosso sangue 
E as drogas influenciam nossas mentes Vamos explodir uma escola infantil 
E experimentar o êxtase 
Nada de futuro do país 
Como me enganaram quando infanto
Nada de pais do futuro 
Apenas país dos suínos 
País das drogas 
Um show a parte 
Regado à cafeína 
Um som do coração 
Sem um teto sobre a cabeça 
Coração de suíno 
Chupando o cálcio 
Fingindo por fora 
Sorrindo por dentro 
Eu sou hipócrita como o meu país 
Corruptos Lutando contra a corrupção 
Assassinos pedindo a paz 
Esqueletos dançando 
Ofereço apenas 
Meu olhar humilde 
Há uma pirâmide 
Com um olho que tudo vê 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 2)

A Guerra de Tróia  (Parte 2)
Guto 



Era um pulgueiro da pior qualidade... Algo nas entranhas encardidas do bairro...  Sempre tinha algo daquele tipo...  Um terreno baldio..  Uma casa que começaram a construir  e abandonaram depois...  Funcionava como um deposito de drogas.

A garota chegou até  o vão  que funcionava como entrada...  Mas o seu acesso foi bloqueado por um garoto sem camisa e com uma pistola na cintura que a peitou soberbo... "O QUE É QUE VOCÊ QUER, PACAPIM...  NÃO TÔ COM A MENOR PACIÊNCIA"...... O moleque,  que parecia não  ter mais do que treze anos, não se intimidou...." o patrão tá reunido com o comando todo...  Disse que não  é pra deixar ninguém passar. "....." E É  VOCÊ QUEM VAI ME IMPEDIR, PORRA? ".....  Antes que o moleque abrisse a boca novamente ela já foi metendo  um empurrão e entrando à força no pulgueiro....  O lugar não  era muito grande....  Ela andava decidida,  passando por vários cômodos...  O garoto a seguia mas ela não  não dava atenção....  Se sentia ultrajada - apesar dessa palavra não  constar no seu vocabulário - e se sentia humilhada. Ela sempre foi orgulhosa e aquela desfeita não  podia ficar sem uma desforra merecida. 

No último vão havia uma porta fechada e outro moleque armado na contenção...  O  trabalho infantil no serviço  do tráfico de drogas era uma constante....   "VAI IMPEDIR MEU ACESSO TAMBÉM, ZAROLHO"....  com a voz alta ecoando pela pocilga decadente.... " O corôa  tá com  o  comando...  Ninguém entra."....... "QUEM VOCÊ PENSAM QUE EU SOU NESSA PORRA? A SUA PUTA POR UMA ACASO?" A voz ecoando....  " Ordens são ordens."....." PONHA A PORRA DA SUA ORDEM NO C#" Ainda mais alto. Naquela altura a tal reunião  que acontecia lá dentro  foi  interrompida por conta da zoada...  A porta se abriu e um jovem negro com uma expressão seria saiu de dentro do cômodo....  Acompanhado por mais alguns....  "O que tá havendo aqui Sandra"..... ZAROLHO até tentou  falar alguma coisa, mas só conseguiu gaguejar(...) 

Continua! 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Guerra de Tróia (Guto)

A Guerra de Tróia (Guto) 
Parte 01



Elano estava com um copo de cerveja na mão e não  estava sozinho. Com ele estavam mais dois amigos que costumavam acompanhá-lo na resenha de sábado depois do serviço.  Estavam na porta do bar de Ednaldo... Não sei se o dono do bar era importante nessa narrativa...  Bem....  Acho que tudo é. Principalmente a garota que passou  por eles e chamou - lhes a atenção.  Era uma bela garota das redondezas...  Daquelas que costuma-se chamar  de "GOSTOSA".... Escapou da boca de Pablo com a naturalidade de alguns copos de cerveja.  A garota olhou, fechou  a cara e atirou  um "ME RESPEITE"....  Naquele ponto os amigos de Pablo riram dele e até o dono  do bar não se conteve.  Pablo corou...  Corou ferozmente como  um tomate prestes a estragar. " ME RESPEITE VOCÊ, SUA VAGABUNDA " retorquiu Pablo com a" machesa" de alguns copos de cerveja.... "VENHA AQUI PRA VER SE EU NÃO  TE QUEBRO A CARA"... - Gran finale!  Deve ter pensado ele na sua cabeça simiesca. O silêncio àquela altura tinha tomado conta do lugar. Ninguém  ria... Nem mesmo Elano ou Fábio, que acompanhavam Pablo.  A garota abaixou a cabeça e se retirou com a dignidade corrompida. "TRAGA MAIS UMA CERVEJA AÍ" Hurrou Pablo...  Para quebrar o silêncio fúnebre. O dono  do bar atendeu e chamou  Elano num canto que depois retornou  carrancudo. "seu Ednaldo disse que aquela garota é nega de um cabeça cara daqui das áreas"....." É DAÍ?".... grunhiu Pablo....  Era seu modo de falar..... " e daí que se ela contar pra ele seu desrespeito....  Ele não  vai querer deixar barato.... É melhor irmos embora ".... Sugeriu Elano, em sua sensatez. " Mas nós só começamos a beber "... Fábio abandonou o silêncio.... " EU TAMBÉM ACHO.... ENTÃO SÃO DOIS CONTRA UM.... VOCÊ PERDEU A VOTAÇÃO, ELANO.... KKKK"..... "então, vocês é quem sabem. Só não  digam depois que eu não avisei."..... Seguiram bebendo... Elano parecia incomodado e paranoicamente atento... Enquanto Pablo - rufião, como sempre - expressava sua tranquilidade da melhor maneira que sabia.... Contando piadas misóginas e  machistas a respeito da garota desconhecida....  Fábio apenas ria... 

... Continua

Atípico e Pretensioso (Guto)

Atípico e Pretensioso (Guto)



No escuro a pedra bate no indefinido
O som  reverbera e se espalha
Algo como  o Tártaro grego
Um leque lufando o ar no meu rosto
No vortex obscuro desalmado
Uns chamam  de meu corpo
Onde eu definho preso
No escuro sem alma
Sem Dharma
Uma definição de amor
Já consumindo  a bondade
Perigosa e vulnerável
Em sua própria essência
Não me leve a mal
Esse é somente o meu testamento
Atípico - como  sempre -
Pretensioso  - como sempre -
Algo prepotente e régio
Abrigado no escuro desse ventre.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Eis uma blasfêmia (Guto)

Eis uma blasfêmia (Guto) 



Estamos indo fundo 
Caminhando pelo mundo 
Invertendo  ou inventando 
Qualquer ideal profano 
Subjugando ou subestimando 
Deixando  de entender as preces 
Onde os vedas foram além 
Não sendo menos subserviente 
Uma característica rígida 
E uma vontade de porvir 
Com menos planos implacáveis 
Uma rua não tão fascinante 
Libera me da obrigação de escolher 
Ou de seguir um deus 
Demasiado tolo e sem rosto 
Não é uma fé sem lógica 
Não  é um rogo meteórico 
Ninguém  vai  me seguir 
E nem vão me acalentar 
Em meu ritmo 
Hínico 
Bêbedo 
Imparcial 
A fera e a fuligem 
Rugindo  seus karmas 
Como cartas escritas e rasgadas 
Jogadas sobre a mesa 
O deus pequeno  as enxergou 
Decorando pra posteridade 
Tendo que se arrastar na lama 
Seu canto é onírico 
Sua voz uma trovoada 
Espalho me pelos prados 
E me encontro na encruzilhada. 

sábado, 10 de setembro de 2016

Indômito e limítrofe (Guto)

Indômito e limítrofe (Guto) 



Hoje eu vi um  clarão singular 
Dentro  de mim  sem querer falar
Estava de pé 
Ou apenas deitado 
Nada  interessa no fato citado
Hoje eu estava lá 
Ou aqui
Indômito e limítrofe 
Espalhando  minha palavra
Com a voz de outro 
Um tom agudo demais para mim 
E eu entoava sem problemas. 
Hoje eu vi um clarão sem nada demais 
Vinha de  ti
Saia da sua fronte luminosa 
- Como velhos hábitos esquecidos 
E eu já  não  tinha coragem  pra trilha o caminho  sagrado
Hoje eu troquei meu nome 
Por um mais pessoal 
E vi que me restou  um troco
O qual  eu atirei  à fonte 
Sem ter um desejo em mente
Hoje eu vi minha feição
Já  descrente
Tão pertinente 
Sem nada demais. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Outro Coração (Guto)

Outro Coração (Guto) 



Em meio a solidão de Nietzsche 
Não estando em plena consciência 
Inatividade por sangrar a cicatriz 
A discórdia comigo mesmo 
A ilusão  como companheira
Nesse universo ancestral 
Levando uma bandeira à parte
Adiante nego a verdade apavorante 
Nada de  amor nos olhos do interesse 
Outros interesses nos olhos do amor 
Num  mundo  de ilusão 
Num  espelho  impertinente 
Eu miro uma linha paralela (ao meu lado) 
No desgosto  conquistado 
O que eu amo é ilusão 
Um feixe dourado aí seu lado 
Mas na verdade não  passa de latão 
No seio solitário  de Nietzsche 
Eu insisto no que tem outros interesses 
Revolta de tempo  em tempo
Mendigando  o tempo  inteiro 
Era o que me aguardava. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A visão do real (Guto)

A visão do real (Guto) 

Uma velha calma pra um dissabor 
Uma falácia  que sempre simulou  o  amor
Só vem quando quer 
Na hora que quer
Noutro momento não  está  lá 
E deixa o corpo  cansado.
A mente cansada 
Lutando  por melhora
Mas nada é  tão  bom 
Nada revigora 
Uma falácia ardente por dois anos e cinco meses
Talvez  houvesse  outros motivos  pro falante deleite
Talvez apenas pra tirar de outra criança o leite
Enquanto  minha carne se cansava 
Enquanto  a minha mente explodia 
A falácia  mais uma vez da sua boca emergia 
Hoje aparece  quando  quer marcar o terreno 
E deixa apenas vestígios de algo obsceno. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Lupus Dei (Guto)

Lupus Dei (Guto) 



O cordeiro de Deus,
Bem sei que não sou 
Pois,  mau digo,  em receio, 
A couraça que me cobre
Com ela,  eu vagueio 
Buscando a necessidade 
Colhendo emprestado os vômitos 
Na casca do mundo. 
Sobre a confusão do dia a dia 
Onde os ligamentos estão rompidos 
E o meu falo circuncidado
No raiar da luz frouxa dos dias. 
O que é o amor? 
Algo que os meus  dentes  rasgam
E sentem o sangue 
-Tripas - 
-Coração - 
Eu(?) 
Jamais o cordeiro de Deus
Meu olhar indiscreto 
Emerge no meio da noite 
Em busca  do gotejar da navalha
Com hálito que desnuda desejos 
E  um demônio me querendo por vassalo
Aceite a carona outra vez 
Enquanto desço ao inferno 
Com o diabo amado. 
  

quinta-feira, 2 de junho de 2016

RELEASE -The Alan Parsons Project – Eye in the Sky

The Alan Parsons Project – Eye in the Sky



O ano era 1982. A banda se chamava The Alan Parsons Project. Um nome peculiar para uma banda peculiar que dizia muita coisa a respeito do seu líder e idealizador.


Alan Parsons já era muito conhecido do cenário musical da Inglaterra desde os anos setenta. Principalmente por suas contribuições como engenheiro de som no estúdio Abbey Road, onde trabalhou em álbuns dos “Beatles” e no clássico do Pink Floyd, o “The Dark Side of The Moon”.


Esse último marcaria o The Alan Parsons Project não só na sonoridade, como também na empregabilidade de um conceito permeando cada álbum lançado pela banda.

Temas como os contos de Poe, a obra de Isamov, o Egito antigo, as mulheres e os jogos de azar foram usados nos primeiros cinco álbuns do The Alan Parsons Project, até que em junho de 1982, há trinta e quatro anos, seria lançado “Eye in the Sky”. Album este que traria como conceito a Vida e o Universo.

O álbum se tornaria o maior sucesso comercial do The Alan Parsons Project até aquele momento. Superado apenas pelo seu sucessor, o “Amonia Avenue”.


Eye in the Sky tem como introdução o tema instrumental “Sirius”. Esta que seria amplamente utilizada por equipes desportivas como vinheta em seus jogos. Mais notadamente pelo time de basquete Chicago Bulls durante toda a era Jordan.


Após a introdução – e quase emendada nela – vem a musica que dá nome ao álbum e que, por sua vez, acabaria por se tornar o single mais famoso da banda. “Eye in the Sky” tem tudo o que uma canção precisa para se tornar um clássico do rock. Simplicidade, beleza instrumental, uma letra inspirada que deixa margem para variadas interpretações, bem como uma harmonia intrigante e hipnótica que culmina com um fade out em um belo solo de guitarra.

Curiosamente, certa vez, durante uma entrevista, Alan Parsons confessou que quase desistiu de gravar a música por achá-la pobre. Por obra das musas, tanto ele quanto o seu colaborador, Eric Wolfson, não só desistiram da ideia como deram ao álbum o nome da canção.


Uma das características mais marcantes do The Alan Parsons Project é a alta rotatividade dos seus músicos, principalmente dos vocalistas - sendo apenas o próprio Alan Parsons e Eric Wolfson os membros fixos do grupo. Dessa forma, se pudemos ouvir Eric Wolfson deixar o seu registro vocal na faixa Eye in the Sky, na canção seguinte quem toma as rédeas para cantar Children of the Moon é David Paton. O resultado é uma bela pérola que poderia muito bem fazer parte do Sargent Pepper dos Beatles.


Em seguida é a vez de Chris Rainbow praticamente sussurrar a melancólica “Gemini”, essa que é praticamente um prelúdio para a volta em grande estilo de Eric Wolfson com a apoteótica “Silence and I”. Essa faixa é o mais belo exemplo do pop progressivo de alta qualidade desenvolvido pela banda que ousa com essa musica – como em nenhum outro momento nesse álbum - arriscar um matrimônio entre a destreza malabarística do rock progressivo, com magníficas passagens sinfônicas, e a simplicidade e sensibilidade do pop rock setentista permeada por vigorosos solos de guitarra, fechando o lado A do disco de maneira no mínimo esplêndida.


Se na primeira metade do álbum ouvimos canções mais introspectivas, o lado B do álbum apresenta canções mais rapidinhas e até mesmo dançantes. A primeira faixa já carrega um aviso. “You Gonna Get Your Fingers Burned”, cantada por Lenny Zakatek, nada mais é que um rock setentista que acerta em cheio com o seu instrumental e harmonia marcantes lembrando um The Who bem comportado – no bom sentido, claro.

Em seguida temos a música “Psicho Babbles” começando com uma melodia feita por um sintetizador e acompanhada pela pulsação de um contrabaixo cardíaco. O registro vocal dessa vez é garantido por Elmer Gantry, que se mostra bastante competente.


O tema seguinte é a peça instrumental “Mammagamma”. Uma canção com uma pegada meio funk que traz lembranças da já extinta era disco e um tema que se repete constantemente como se fosse uma abertura de série americana de ação dos anos setenta.

Lenny Zakatek retorna em “Step By Step”, uma bela balada pop que lembra muito “Hall and Oats” na melhor forma da dupla.


“Old and Wise” encerra o álbum da forma mais melancólica possível. Nessa faixa Colin Blunstone empresta a sensibilidade de seus vocais para ajudar a criar esta que pode ser considerada uma das mais belas canções da história do rock. O solo de saxofone durante o fade out é catártico e mostra todo o talento do grupo para transpor o conceito proposto para o instrumento musical. O resultado é visto ao longo das dez faixas deste álbum maravilhoso.



Eyes in The Sky é um daqueles álbuns atemporais, dos quais você pode ficar uma ou três décadas sem escutar, mas que mesmo assim nunca deixara de ser atual ou urgente. Você pode ouvi-lo num dia chuvoso, ou à noite na companhia de um tinto suave e pensando na vida enquanto essa obra de arte serve como trilha sonora.  

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Fosso (Guto)

"Under blue moon I saw you(...)"
Echo & the Bunnymen 



O Fosso (Guto)  

Era nítida a conexão
Era imenso o intervalo entre os corpos
Espero um fim perfeito
Sonoro e encantador
Era o mesmo de sempre
O mesmo dia
A mesma corrente de elos frágeis
Mantenho me limpo e esplêndido
Os olhos me tocam sem sentir
Os olhos me sentem sem tocar
Não há perdão para mim
Não há perdão a pedir e implorar
Nem salvação na palavra milenar
Ela se estreita sobre minha vigília
Enquanto rogo aos céus em prantos
Uma lástima peculiar
Então todas as minhas preces
Tornam-se petulantes
Vistas como um incômodo
Ao trono ancestral
E ainda não peço perdão
Repouso na frieza inaudível do calabouço
Refazendo a conexão
Câmbio!
       Desligo!       

domingo, 27 de março de 2016

Quando a Noite Cair (Guto)

Quando a Noite Cair (Guto)

Quando a noite cair, meu amor
Será o fim do mundo
E não haverá nada que nos impeça de avançar.
Quando a noite surgir
Meio sem rumo
E a luz recuar
- Pra desocultar - eu e você
Enérgicos e rodopiantes
Sem a menor chance
Puniremos o final
Será sensacional
Algo daquele quimera
O nosso AMOR
Quando a noite surgiu
Durou um segundo
Atrás da luz
Ou adiante dela
Sem se deixar alcançar.
E a noite explodiu o dia
Sem perceber
Pedindo e exigindo permissão
Crua e perdendo a razão
Surgindo fantasmática
Sem sinal de fraqueza
Nem mostrando pudor
O nosso AMOR
Quando a noite surgir
Uma vez mais
Será fatal.