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terça-feira, 7 de junho de 2016

Lupus Dei (Guto)

Lupus Dei (Guto) 



O cordeiro de Deus,
Bem sei que não sou 
Pois,  mau digo,  em receio, 
A couraça que me cobre
Com ela,  eu vagueio 
Buscando a necessidade 
Colhendo emprestado os vômitos 
Na casca do mundo. 
Sobre a confusão do dia a dia 
Onde os ligamentos estão rompidos 
E o meu falo circuncidado
No raiar da luz frouxa dos dias. 
O que é o amor? 
Algo que os meus  dentes  rasgam
E sentem o sangue 
-Tripas - 
-Coração - 
Eu(?) 
Jamais o cordeiro de Deus
Meu olhar indiscreto 
Emerge no meio da noite 
Em busca  do gotejar da navalha
Com hálito que desnuda desejos 
E  um demônio me querendo por vassalo
Aceite a carona outra vez 
Enquanto desço ao inferno 
Com o diabo amado. 
  

quinta-feira, 2 de junho de 2016

RELEASE -The Alan Parsons Project – Eye in the Sky

The Alan Parsons Project – Eye in the Sky



O ano era 1982. A banda se chamava The Alan Parsons Project. Um nome peculiar para uma banda peculiar que dizia muita coisa a respeito do seu líder e idealizador.


Alan Parsons já era muito conhecido do cenário musical da Inglaterra desde os anos setenta. Principalmente por suas contribuições como engenheiro de som no estúdio Abbey Road, onde trabalhou em álbuns dos “Beatles” e no clássico do Pink Floyd, o “The Dark Side of The Moon”.


Esse último marcaria o The Alan Parsons Project não só na sonoridade, como também na empregabilidade de um conceito permeando cada álbum lançado pela banda.

Temas como os contos de Poe, a obra de Isamov, o Egito antigo, as mulheres e os jogos de azar foram usados nos primeiros cinco álbuns do The Alan Parsons Project, até que em junho de 1982, há trinta e quatro anos, seria lançado “Eye in the Sky”. Album este que traria como conceito a Vida e o Universo.

O álbum se tornaria o maior sucesso comercial do The Alan Parsons Project até aquele momento. Superado apenas pelo seu sucessor, o “Amonia Avenue”.


Eye in the Sky tem como introdução o tema instrumental “Sirius”. Esta que seria amplamente utilizada por equipes desportivas como vinheta em seus jogos. Mais notadamente pelo time de basquete Chicago Bulls durante toda a era Jordan.


Após a introdução – e quase emendada nela – vem a musica que dá nome ao álbum e que, por sua vez, acabaria por se tornar o single mais famoso da banda. “Eye in the Sky” tem tudo o que uma canção precisa para se tornar um clássico do rock. Simplicidade, beleza instrumental, uma letra inspirada que deixa margem para variadas interpretações, bem como uma harmonia intrigante e hipnótica que culmina com um fade out em um belo solo de guitarra.

Curiosamente, certa vez, durante uma entrevista, Alan Parsons confessou que quase desistiu de gravar a música por achá-la pobre. Por obra das musas, tanto ele quanto o seu colaborador, Eric Wolfson, não só desistiram da ideia como deram ao álbum o nome da canção.


Uma das características mais marcantes do The Alan Parsons Project é a alta rotatividade dos seus músicos, principalmente dos vocalistas - sendo apenas o próprio Alan Parsons e Eric Wolfson os membros fixos do grupo. Dessa forma, se pudemos ouvir Eric Wolfson deixar o seu registro vocal na faixa Eye in the Sky, na canção seguinte quem toma as rédeas para cantar Children of the Moon é David Paton. O resultado é uma bela pérola que poderia muito bem fazer parte do Sargent Pepper dos Beatles.


Em seguida é a vez de Chris Rainbow praticamente sussurrar a melancólica “Gemini”, essa que é praticamente um prelúdio para a volta em grande estilo de Eric Wolfson com a apoteótica “Silence and I”. Essa faixa é o mais belo exemplo do pop progressivo de alta qualidade desenvolvido pela banda que ousa com essa musica – como em nenhum outro momento nesse álbum - arriscar um matrimônio entre a destreza malabarística do rock progressivo, com magníficas passagens sinfônicas, e a simplicidade e sensibilidade do pop rock setentista permeada por vigorosos solos de guitarra, fechando o lado A do disco de maneira no mínimo esplêndida.


Se na primeira metade do álbum ouvimos canções mais introspectivas, o lado B do álbum apresenta canções mais rapidinhas e até mesmo dançantes. A primeira faixa já carrega um aviso. “You Gonna Get Your Fingers Burned”, cantada por Lenny Zakatek, nada mais é que um rock setentista que acerta em cheio com o seu instrumental e harmonia marcantes lembrando um The Who bem comportado – no bom sentido, claro.

Em seguida temos a música “Psicho Babbles” começando com uma melodia feita por um sintetizador e acompanhada pela pulsação de um contrabaixo cardíaco. O registro vocal dessa vez é garantido por Elmer Gantry, que se mostra bastante competente.


O tema seguinte é a peça instrumental “Mammagamma”. Uma canção com uma pegada meio funk que traz lembranças da já extinta era disco e um tema que se repete constantemente como se fosse uma abertura de série americana de ação dos anos setenta.

Lenny Zakatek retorna em “Step By Step”, uma bela balada pop que lembra muito “Hall and Oats” na melhor forma da dupla.


“Old and Wise” encerra o álbum da forma mais melancólica possível. Nessa faixa Colin Blunstone empresta a sensibilidade de seus vocais para ajudar a criar esta que pode ser considerada uma das mais belas canções da história do rock. O solo de saxofone durante o fade out é catártico e mostra todo o talento do grupo para transpor o conceito proposto para o instrumento musical. O resultado é visto ao longo das dez faixas deste álbum maravilhoso.



Eyes in The Sky é um daqueles álbuns atemporais, dos quais você pode ficar uma ou três décadas sem escutar, mas que mesmo assim nunca deixara de ser atual ou urgente. Você pode ouvi-lo num dia chuvoso, ou à noite na companhia de um tinto suave e pensando na vida enquanto essa obra de arte serve como trilha sonora.