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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 2)

A Guerra de Tróia  (Parte 2)
Guto 



Era um pulgueiro da pior qualidade... Algo nas entranhas encardidas do bairro...  Sempre tinha algo daquele tipo...  Um terreno baldio..  Uma casa que começaram a construir  e abandonaram depois...  Funcionava como um deposito de drogas.

A garota chegou até  o vão  que funcionava como entrada...  Mas o seu acesso foi bloqueado por um garoto sem camisa e com uma pistola na cintura que a peitou soberbo... "O QUE É QUE VOCÊ QUER, PACAPIM...  NÃO TÔ COM A MENOR PACIÊNCIA"...... O moleque,  que parecia não  ter mais do que treze anos, não se intimidou...." o patrão tá reunido com o comando todo...  Disse que não  é pra deixar ninguém passar. "....." E É  VOCÊ QUEM VAI ME IMPEDIR, PORRA? ".....  Antes que o moleque abrisse a boca novamente ela já foi metendo  um empurrão e entrando à força no pulgueiro....  O lugar não  era muito grande....  Ela andava decidida,  passando por vários cômodos...  O garoto a seguia mas ela não  não dava atenção....  Se sentia ultrajada - apesar dessa palavra não  constar no seu vocabulário - e se sentia humilhada. Ela sempre foi orgulhosa e aquela desfeita não  podia ficar sem uma desforra merecida. 

No último vão havia uma porta fechada e outro moleque armado na contenção...  O  trabalho infantil no serviço  do tráfico de drogas era uma constante....   "VAI IMPEDIR MEU ACESSO TAMBÉM, ZAROLHO"....  com a voz alta ecoando pela pocilga decadente.... " O corôa  tá com  o  comando...  Ninguém entra."....... "QUEM VOCÊ PENSAM QUE EU SOU NESSA PORRA? A SUA PUTA POR UMA ACASO?" A voz ecoando....  " Ordens são ordens."....." PONHA A PORRA DA SUA ORDEM NO C#" Ainda mais alto. Naquela altura a tal reunião  que acontecia lá dentro  foi  interrompida por conta da zoada...  A porta se abriu e um jovem negro com uma expressão seria saiu de dentro do cômodo....  Acompanhado por mais alguns....  "O que tá havendo aqui Sandra"..... ZAROLHO até tentou  falar alguma coisa, mas só conseguiu gaguejar(...) 

Continua! 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Guerra de Tróia (Guto)

A Guerra de Tróia (Guto) 
Parte 01



Elano estava com um copo de cerveja na mão e não  estava sozinho. Com ele estavam mais dois amigos que costumavam acompanhá-lo na resenha de sábado depois do serviço.  Estavam na porta do bar de Ednaldo... Não sei se o dono do bar era importante nessa narrativa...  Bem....  Acho que tudo é. Principalmente a garota que passou  por eles e chamou - lhes a atenção.  Era uma bela garota das redondezas...  Daquelas que costuma-se chamar  de "GOSTOSA".... Escapou da boca de Pablo com a naturalidade de alguns copos de cerveja.  A garota olhou, fechou  a cara e atirou  um "ME RESPEITE"....  Naquele ponto os amigos de Pablo riram dele e até o dono  do bar não se conteve.  Pablo corou...  Corou ferozmente como  um tomate prestes a estragar. " ME RESPEITE VOCÊ, SUA VAGABUNDA " retorquiu Pablo com a" machesa" de alguns copos de cerveja.... "VENHA AQUI PRA VER SE EU NÃO  TE QUEBRO A CARA"... - Gran finale!  Deve ter pensado ele na sua cabeça simiesca. O silêncio àquela altura tinha tomado conta do lugar. Ninguém  ria... Nem mesmo Elano ou Fábio, que acompanhavam Pablo.  A garota abaixou a cabeça e se retirou com a dignidade corrompida. "TRAGA MAIS UMA CERVEJA AÍ" Hurrou Pablo...  Para quebrar o silêncio fúnebre. O dono  do bar atendeu e chamou  Elano num canto que depois retornou  carrancudo. "seu Ednaldo disse que aquela garota é nega de um cabeça cara daqui das áreas"....." É DAÍ?".... grunhiu Pablo....  Era seu modo de falar..... " e daí que se ela contar pra ele seu desrespeito....  Ele não  vai querer deixar barato.... É melhor irmos embora ".... Sugeriu Elano, em sua sensatez. " Mas nós só começamos a beber "... Fábio abandonou o silêncio.... " EU TAMBÉM ACHO.... ENTÃO SÃO DOIS CONTRA UM.... VOCÊ PERDEU A VOTAÇÃO, ELANO.... KKKK"..... "então, vocês é quem sabem. Só não  digam depois que eu não avisei."..... Seguiram bebendo... Elano parecia incomodado e paranoicamente atento... Enquanto Pablo - rufião, como sempre - expressava sua tranquilidade da melhor maneira que sabia.... Contando piadas misóginas e  machistas a respeito da garota desconhecida....  Fábio apenas ria... 

... Continua

Atípico e Pretensioso (Guto)

Atípico e Pretensioso (Guto)



No escuro a pedra bate no indefinido
O som  reverbera e se espalha
Algo como  o Tártaro grego
Um leque lufando o ar no meu rosto
No vortex obscuro desalmado
Uns chamam  de meu corpo
Onde eu definho preso
No escuro sem alma
Sem Dharma
Uma definição de amor
Já consumindo  a bondade
Perigosa e vulnerável
Em sua própria essência
Não me leve a mal
Esse é somente o meu testamento
Atípico - como  sempre -
Pretensioso  - como sempre -
Algo prepotente e régio
Abrigado no escuro desse ventre.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Eis uma blasfêmia (Guto)

Eis uma blasfêmia (Guto) 



Estamos indo fundo 
Caminhando pelo mundo 
Invertendo  ou inventando 
Qualquer ideal profano 
Subjugando ou subestimando 
Deixando  de entender as preces 
Onde os vedas foram além 
Não sendo menos subserviente 
Uma característica rígida 
E uma vontade de porvir 
Com menos planos implacáveis 
Uma rua não tão fascinante 
Libera me da obrigação de escolher 
Ou de seguir um deus 
Demasiado tolo e sem rosto 
Não é uma fé sem lógica 
Não  é um rogo meteórico 
Ninguém  vai  me seguir 
E nem vão me acalentar 
Em meu ritmo 
Hínico 
Bêbedo 
Imparcial 
A fera e a fuligem 
Rugindo  seus karmas 
Como cartas escritas e rasgadas 
Jogadas sobre a mesa 
O deus pequeno  as enxergou 
Decorando pra posteridade 
Tendo que se arrastar na lama 
Seu canto é onírico 
Sua voz uma trovoada 
Espalho me pelos prados 
E me encontro na encruzilhada. 

sábado, 10 de setembro de 2016

Indômito e limítrofe (Guto)

Indômito e limítrofe (Guto) 



Hoje eu vi um  clarão singular 
Dentro  de mim  sem querer falar
Estava de pé 
Ou apenas deitado 
Nada  interessa no fato citado
Hoje eu estava lá 
Ou aqui
Indômito e limítrofe 
Espalhando  minha palavra
Com a voz de outro 
Um tom agudo demais para mim 
E eu entoava sem problemas. 
Hoje eu vi um clarão sem nada demais 
Vinha de  ti
Saia da sua fronte luminosa 
- Como velhos hábitos esquecidos 
E eu já  não  tinha coragem  pra trilha o caminho  sagrado
Hoje eu troquei meu nome 
Por um mais pessoal 
E vi que me restou  um troco
O qual  eu atirei  à fonte 
Sem ter um desejo em mente
Hoje eu vi minha feição
Já  descrente
Tão pertinente 
Sem nada demais.