Total de visualizações de página

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Ano Novo (Guto)

Ano Novo (Guto) 



Novo ano e tristeza funesta 
Tudo de novo demonstrando o antigo 
Posso abraçar o mar turbulento 
E posso perecer numa noite qualquer 

Anjos explícitos voam longe daqui 
Pois  não entendo a palavra 
E sigo errôneo só para acertar 
Não venerando mais a alegria 

Novo ano de ambivalência interior 
A pista segue escorregadia 
E mantenho - me duplo e subterrâneo 
Cheio de sonhos traiçoeiros

Oráculos internos dizem - me o que fazer
Sobre a besta do instinto e do vinho 
Adoraria receber a dádiva fatal 
Com sonhos 
Sonhos traiçoeiros 

domingo, 23 de outubro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 4)

A Guerra de Tróia (Parte 4)
(Guto) 



Telo ficou surpreso...  Surpreso e desconfiado com aquela proposta de Vado. 
"Eu até te agradeço, parceria... Mas isso aqui é um bagulho nosso pra resolver...  É um problema de família.  Negócio de honra. Tá ligado? "
" Eu tô ligado, man...  Mas se os nosso comando fechou na fé...  Então vamo resolver esse bagulho junto pra mostrar da colé.  Vamo chegar atropelando, parceiro."
Telo ponderou um pouco...  Seu olhar era uma esfinge incógnita... Ele observou Sandra que parecia extremamente ansiosa a ponto de devorar um prato de unhas. Ele coçou a cabeça raspada e em seguida disse. 
"Pois bem....  Vamos lá fulerar com esses caras agora....  Zarolho....  Chame Carlinho e vá lá na rua do bar,  como quem não quer nada e veja se esses malaco ainda tão no bar...  Depois me ligue e dê o papo. "
" Certo, patrão... O senhor é quem manda. "...  Dito isso saiu rapidamente da quebrada.
" Vocês estão de ponto quarenta ou 380?" Perguntou Telo aos novos parceiros. 
"Nós só chega suave, chefia...  Aqui nós só porta ponto quarenta...  Pra não ter erro! "  Vado suspendeu o blusão exibindo duas pistolas ponto quarenta presas à cintura....  Seus acompanhantes riram,  mas Telo somente balançou a cabeça positivamente. 
O aparelho de celular de Telo tocou com Zarolho dando sinal positivo para ele. A hora havia chegado...  Não era nada demais para ele...  Esses acertos de conta e cobranças violentas de dívidas..  Entretanto alguma coisa parecia incomodar-lhe. Sandra não parava de esfregar as mãos. 
"Só estamos esperando o seu comando, parsa! " Vado anunciou. 
" A hora é agora.  Vamos cortar esses fila da puta no aço....  Sandra você vai esperar aqui. Pacapim vai ficar com você enquanto não voltamos. Depois a gente vai fazer um reggae só nós dois. " Puxou a moça pela cintura e beijou a sua boca. 
Sandra sorriu....  Ele se virou  e se afastou com Vado,  os três do comando de Vado e uns dois do seu comando...  A hora do acerto de contas estava chegando finalmente....  Zarolho e o comparsa já estavam lá na emboscada. 

CONTINUA! 

sábado, 22 de outubro de 2016

Sonho Lúcido (Guto)

Sonho Lúcido (Um Conto Errante) 



A luz do sol atravessa a janela aberta...  Essa luz que viajou a trezentos mil quilômetros por segundo e chegou aqui...  E chega todos os dias.  Eu estava de pé...  Observando o seu caminhar... o seu dominar...  Nada disso era planejado... Duvido que o sol pense no que fará amanhã  ou planeje sair para beber com os amigos no final de semana...  Eu mesmo não tenho planejado nada -  igual ao sol -  apenas vou avançando a trezentos quilômetros por segundo em minha profunda loucura e insistindo em algo fraturado e falido.....  Não me dou ao luxo de me perguntar o porque - sei que o sol também não se pergunta...  Somos iguais... Morremos num horizonte e nascemos no outro...  Como ele está fazendo agora...  E eu tento fazer também pois é o que me resta. Seguindo com esse samsara cotidiano até a grande queda no abismo do esquecimento....  Quem sabe seria hoje... ou amanhã!? Talvez o sol exploda ou a minha vizinhança inteira...  Ainda assim eu teria que seguir com a minha vida lamentável...  Eu teria que ser eu...  Uma lástima...  Uma lágrima no infinito e um pulso  irrestrito.  DROGA! As vezes não faço idéia do que estou falando...  Ou finjo não saber....  Bem...  Duvido que o sol o faça...  Mas nunca poderei saber...  Ele não fala comigo...  Apenas me olha (ou não)  e segue sua vida...  Como um deus grego prepotente e decadente...  Escravo do seu ciclo heliocêntrico...  Como eu..  Escravo do cotidiano...  Escravo do meu body and soul... Trezentos mil quilômetros por segundo de escravidão....  O que é deixado pra mim como  migalhas e promessas de amor...  Uma dor não pensada e não raciocinada....  Ao menos posso apagar antes do sol...  Esse bossal...  Escravo de sua fusão nuclear....  Dos seus núcleos de hidrogênios se fundindo em hélio....  Pelo menos  a minha vida é uma só...  Ou eu penso ser....  Maldição.... Do que eu estava falando mesmo....  Ah! Era o sol...  E como somos sós! 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Poema (Guto)

Poema (Guto) 



Era ela o meu medo?
As vezes me pego pensando 
Pensando nela
Nos seus cachos eternos
Na sua boca macia 
Na sua voz rouca quando baixa 
E me chama de moço 
E me tira do sério 
Só pra mostrar que pode. 
Ela era meu medo(...) 
O seu jeito de andar 
Como se fosse socar alguém 
Sem deixar a sensualidade de lado
E a canção no seu cheiro. 
As vezes eu acordo à noite 
E corro a mão do meu lado
Pra ver se ainda está lá 
Ou era uma sonho 
Na imensidão estrelada de nossa cama 
Em nossa casa
Em nosso lar

Um Despertar/ Um Fenecer (Guto)

Um Despertar/Um Fenecer (Guto) 



No meio do tempo quente
Você percebe o inevitável 
O inesperado 
Um Despertar 
Um olhar brilhante
Esse brilho não é mais para mim
E as horas preciosas do dia
São perdidos talvez desejando outra coisa 
Talvez um novo desejo de viver 
Quem sabe uma nova paixão 
Um calor interior 
Mas não pra mim
Pois o tempo  quente que nos repele 
E o brilho ofuscante em seus olhos 
Enxerga apenas meu pomar de frutas podres
Ainda há algum sabor... 
... Talvez na próxima estação.
Talvez não no meu pomar envenenado. 

domingo, 16 de outubro de 2016

O Blefe (Guto)

O Blefe (Guto) 

Eu não deveria ter blefado naquela hora 
No seio da madrugada
Não deveria confundir o sopro vazio 
Com a voz da pessoa amada
Eu não deveria mentir 
Nem o meu corpo rasgar
Não deveria insistir 
Nem aquela boca beijar 
Não deveria ter criado canções 
Enquanto alterno estações 
Me queimo no verão
Me explode o verão 
Pra quando o inverno chegar 
Eu deveria ser livre de mim 
Desse blefe amador 
Eu já plantei no jardim 
Uma rosa morta sem amor
Me esvaindo nas consequências 
E arrastando - as por aí  afora 
Como um adereço nocivo 
Sem o qual 
Eu não vivo. 

A Guerra de Tróia (Parte 3)

A Guerra de Tróia (Parte 3)
(Guto) 



"PARECE QUE NINGUÉM AQUI ME CONSIDERA! ".... Berrou a garota meio descontrolada. 
" Acho melhor você falar mais baixo comigo. " disse o chefe. 
" Patrão, eu dei a idéia, mas ela não quis me ouvir."
"Fique na sua Zarolho que não pega nada pra você.".... "Quanto a você, Sandra. O que é tão importante que te fez interromper uma reunião com o comando do Vado.... E tome cuidado como fala comigo."
Vado e os três que estavam com ele olhavam tudo atentamente. 
" Telo...  É assim que você me trata... É desse jeito que eu sou sua namorada, é?"
"Você vai ficar sentimental ou vai dizer o que tem pra falar?"
"Acontece que já te respeitaram mais na suas áreas."
"De que merda você está falando, rapaz!? Vambora....  Dezembucha logo? " Telo ficou visivelmente irritado. 
" Eu estava passando agora a pouco na rua do bar de seu Ednaldo e uns caras mexeram comigo"
"Que caras... Que papo é esse? "
" É isso, não conheço eles...  Não são daqui da favela...  Parece que são conhecidos de seu Ednaldo...  Só sei que, além de tudo, ameaçaram quebrar a minha cara...  Veja só...  Parece que tão cagando pro seu comando aqui da favela."
"Muito bem.... E você deve esperar que eu dê  uma  prensa nesses caras? "
" Só você pode fazer isso.... O comando aqui é seu. ".... Argumentou eloquentemente Sandra.
O chefe se virou pra Vado e com um movimento de ombros disse. 
" Parece que eu tenho umas obrigações a cumprir agora. Mas, só pra concluir o que foi conversado lá dentro...  O acordo tá fechado entre a gente, né? "
" Fechou...  Nossos comandos estão em trégua a partir desse momento " respondeu Vado e estendeu a mão para apertar a mão de Telo. " Só mais uma coisa...  Não pude deixar de ouvir a sua conversa com a moça e como  sinal de boa vontade eu gostaria de oferecer nossa ajuda pra resolver esse problema." 
Telo ficou surpreso com a oferta(...) 

CONTINUA! 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Errante (Guto)

O Errante (Guto) 

Não me enxergo e me entrego 
O Errante 
Velha alma já disléxica
Tão pulsante 
Grito surdo sob o muro 
Um Errante 
Os pés tocam o caminho 
Dissonante 
Mesma forma e mesmo vazo 
Cada dia um cadafalso 
O pescoço junto ao laço 
Esse laço tentador 
Mais agora do que antes 
Essa trilha
A minha trilha 
O Errante 
Sempre encontro
E sempre perco 
Os meus credos desconheço 
Mais um dia um tanto cético 
Esse jeito já profético 
No grito do hierofante 
Condenando me
Um Errante 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Norte Verdadeiro (Guto)

O Norte Verdadeiro (Guto) 




Há  uma pirâmide no centro do país 
Onde os porcos se juntam e chafurdam 
O que é de sua natureza 
E o restante da população 
Alguns anseiam se tornar porcos
Outros anseiam morrer antes de qualquer coisa 
Há drogas influenciando nossas mentes 
Estamos demasiadamente letárgico 
Flutuantes em meio ao caos político
Os embates culturais não  são  dialética
Eles não nos levam daqui para ali 
Apenas nadando contra a correnteza 
Devendo ao banco 
- Como de PRAXI-
Enterrando umas cédulas no colchão 
Por precaução 
Há um ódio do no sul e ele mira o nordeste 
Há ódio por toda parte 
Ele explodirá o sol
Vamos nos lançar ao espaço 
Cruzar a última fronteira 
E morrer  (my love) 
Os homens de  negócio bebem nosso sangue 
E as drogas influenciam nossas mentes Vamos explodir uma escola infantil 
E experimentar o êxtase 
Nada de futuro do país 
Como me enganaram quando infanto
Nada de pais do futuro 
Apenas país dos suínos 
País das drogas 
Um show a parte 
Regado à cafeína 
Um som do coração 
Sem um teto sobre a cabeça 
Coração de suíno 
Chupando o cálcio 
Fingindo por fora 
Sorrindo por dentro 
Eu sou hipócrita como o meu país 
Corruptos Lutando contra a corrupção 
Assassinos pedindo a paz 
Esqueletos dançando 
Ofereço apenas 
Meu olhar humilde 
Há uma pirâmide 
Com um olho que tudo vê