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domingo, 27 de novembro de 2016

A Chuva de Abril(Guto)

A Chuva de Abril (Guto) 



Eu estava tolo no limite enjaulado
Clamando um amor parco
Perdido e sem tônica 
Minha feérica culpa me seguia
Escandalizava-me 
E sem sombras inevitáveis peguei uma moeda 
Depositei nesse amor 
Ele sorriu por um tempo 
Um tempo apenas
E tudo era abundante em palavras 
E eu
Abundante em tolices 
Como a chuva de  abril 
Um outono entre trópicos 
Sabe... Essas tolices alimentam 
Minha alma angelical 
Sempre enjaulada 
Por minha própria conta 
Esquecendo minha beleza 
Meu ódio 
Você entende 
Entoa esse verso  circense 
Com cópula quase extinta 
Com amor sobre a tinta 
Venerando a minha trilha 
Eu não sou um continente 
Sou apenas uma ilha. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cova Sem Número (Guto)

Cova Sem Número (Guto) 



Ele tem um endereço novo 
E o mesmo problema outra vez 
Anestesiado 
Enjaulado animal 
Uma escada infinita para o céu 
Se ergue serena 
Apoiada na densidade das nuvens 
Não tenha medo de falar 
E perder 
A voz dele não pode se sustentar 
Sem pulmões fortes 
Uma gota de mel 
E um pouco de sangue 
Motor de arranque 
Espaço e entre espaço 
Fenda no tempo ferido 
Probabilidades indecisas no Sahara 
Em uma cova sem número 
Sem história pra contar 
Se erguendo sereno 
Anestesiado 
Ensimesmado. 



domingo, 13 de novembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 06)

Guerra de Tróia (Parte 06)
(Guto) 



Telo estava transtornado,  andava de um lado para o outro... olhava fixamente para a porta de entrada do bar de seu Ednaldo e o portão que estava fechado....  Aqueles três minutos transcorriam tão lentamente que até pareciam uma eternidade. Fez sinal pra Zarolho e pro outro moleque... mandou eles ficarem a postos... Eles olharam para o chefe e concordaram..  De qualquer forma não ousariam discordar... Conheciam o humor do chefe e o respeitavam até mais do que respeitavam seus pais e mães em casa. Estavam quase na entrada do bar de seu Ednaldo...  Desprotegidos e com suas ponto quarenta em punho...  Kamikazes de uma guerra a qual não pediram para estar... Mas quase ninguém pede. 
Vado olhou seus companheiros de comando... Um acocorado num canto... Outro na reta guarda e outro paralelo ao da retaguarda...  Ansiosos para entrar em ação...  Um desejo assassino correndo nas veias. 
Telo se dirigiu pra Vado..  "Parceria.. Não tem essa não... Vamo pocar nesse caralho"...." Zarolho, manda bala. "... O moleque fez  um sinal pro comparsa e mandou ele agir...  A arma foi levantada sem jeito ou perícia e começou a disparar pra dentro do bar. 
Seu Ednaldo começou a chorar sonoramente em seu abrigo atrás do balcão .  Elano estava protegido num ponto sem perigo e seus amigos também... Pablo gargalhava insanamente enquanto Fábio estava sentado em silêncio encarando sua pistola...  Os sons de tiro ecoavam do lado de fora, mas não acertava nenhum deles.... Zarolho começou a atirar também  e os sons de disparos engrossaram como um caldo de feijão...  "Bota a cara, viado!".... Gritou Telo.
" Se acalma, Elano... Já Já é hora! "... Disse Fábio sem tirar os olhos da pistola. A verdade era que Elano já estava bem menos nervoso... Apenas ansioso para entrar em ação.... O que o incomodava mesmo eram as gargalhadas de Pablo... Como ele conseguia ser rufião até naquele momento?...." SACA SÓ, FÁBIO... ESSES CARAS NÃO SABEM NEM ATIRAR... ELES COLOCARAM OS MOLEQUES NA DIANTEIRA SÓ PRA ESSES PIRRALHOS RODAREM FEITO PEÃO."
"Daqui eu tenho um deles na minha mira já....  Só preciso de um tiro. "
O disparo de Fábio acertou o comparsa anônimo de Zarolho bem na cabeça.. o garoto caiu numa poça que rapidamente se formou com o seu próprio sangue  e morreu na hora. 

Continua. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Atma ou Carapaça (Guto)

Atma ou Carapaça (Guto) 



Todo desprezo, 
Tudo o que me é raro
Tudo o que meu olhar alcança
E por isso brilha em cascata 
Tremeluzindo de desejo 
Tudo o que mais venero no oculto 
Nos subterrâneos do Vaticano 
Tudo pelo que tenho amor 
Faz-me gritar inaudito
Reticente(...) 
Tudo que aguça-me a língua e entranhas 
Sinto no corpo 
Sinto-me vivo 
Sinto-me sujo 
Sinto-me limpo 
Faz-me humano 
E dividido. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Velhos Desconexos (Guto)

Velhos Desconexos (Guto) 



Meu fim sem nome 
Uma nota breve
E embora seco e cínico  
Arranho a casca inerte. 
Um fim insone 
Tua sombra some
Tudo é tão breve
Como os meus versos 
Velhos desconexos
Inverto e me despede. 
Outrora longe  sem nada certo
Um rito em armas
Eclode as larvas 
Na primavera vil
Planejo e me despeço. 
Este senhor que me conhece 
Sopra os refrões de vinho 
E me adormece.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Guerra de Tróia (Parte 5)

A Guerra de Tróia (Parte 5)
Guto 




Elano estava com um copo de cerveja à mão.. Seus amigos estavam com ele. A cerveja estava gelada e ajudava a aplacar o calor daquela tarde de sábado....  O álcool,  já bebido aos montes por Elano e seus amigos, ajudava a estancar o nervosismo que Elano sentia. Seus amigos estavam aparentemente calmos. Pablo em sua rufionice costumeira e Fábio sempre de poucas palavras. Elano olhava as ruas nas direções que era possível observar...  Estava muito incomodado... Menos do que antes - é lógico -  mas ainda assim incomodado. E ele não gostava disso. Vinha diversas vezes àquele lugar e nunca teve problemas com quem quer que fosse... E torcia intimamente para que aquela não fosse a primeira vez.  Ele gostava do bairro e de sua decadência com casas mal feitas por falta de recursos ou de esmero dos moradores iletrados, pobres, mas que Elano nutria uma espécie de veneração por enxergar neles um tipo de raça de sobreviventes do cotidiano, da miséria e falta de assistência social a que eram submetidos...  Tanto que sempre imaginava ajudar de alguma forma aqueles infortunados. A bexiga de Elano estava começando a latejar por causa do excesso de cerveja. Elano se afastou dos amigos e foi ao banheiro minúsculo que ficava dentro do bar.....  Não demorou nem um minuto, mas quando foi sair começou a ouvir sons de estourou e gritaria. Ouviu a voz de Pablo mandando Fábio entrar no bar para se proteger enquanto a gritaria e a correria aconteciam do lado de fora. Ao sair do banheiro encontrou os amigos agitados dentro do bar. Seu Ednaldo estava escondido atrás do balcão enquanto Pablo e Fábio estavam abaixados abrigados num canto. 
"O que tá acontecendo!? "
" UNS FILHOS DA PUTA CHEGARAM MANDANDO BALA NA GENTE "
" Caralho, Pablo....  Tá vendo o que eu disse, cara!? "
" CERTO.... CERTO.... MAS, AGORA NÃO ADIANTA FALAR NISSO... ESSES CARAS QUEREM FODER COM A GENTE"
" Não precisava ter rolado essa confusão cara. "
" Seu Ednaldo... Aqui é o Telo, parceiro.... Nós não temos nada contra você.... Por isso é melhor você entregar esses cu arrombado pra nós resolver esse impasse entre nós aqui. " gritou uma voz fora do bar. 
Os três olharam para seu Ednaldo... Mas este apenas tremia e suava frio.  
" A coisa é séria... Eles querem nos cortar. " disse Fábio com a mesma calma inabalável. 
" Vou te dar três minutos, mano." a voz voltou a gritar do lado de fora. 
"E agora? ".... Perguntou Elano 
" AGORA É SIMPLES " rosnou Pablo 
" Como é simples?"
"Claro que é simples".... Concordou Fábio... "Nós somos polícia, companheiro... Vamos deixar eles contarem os três minutos deles... Daí nós saímos e brocamos todos eles." 
"TÁ VENDO O QUE EU DISSE, BOY? SIMPLES ASSIM".... Disse Pablo,  enquanto sacava uma pistola da cintura. 

"CONTINUA